O medicamento abaixo que pode ter seu nível plasmático perigosamente aumentado se usado em concomitância com o valproato de sódio é:
- A)clonazepam;
Clonazepam não é a interação clássica cobrada com aumento perigoso de nível plasmático pelo valproato.
- B)fenitoína;
Fenitoína pode ter interações com valproato, mas a associação mais lembrada aqui não é de elevação perigosa do nível da fenitoína nessa questão.
- C)lamotrigina;
Correta: o valproato inibe o metabolismo da lamotrigina, aumentando seu nível plasmático e o risco de toxicidade, inclusive rash grave.
- D)escitalopram;
Escitalopram não é a interação farmacocinética clássica entre as que o valproato eleva perigosamente.
- E)fenobarbital.
Fenobarbital pode interagir com valproato, mas não é a alternativa padrão para essa pergunta sobre aumento perigoso de nível plasmático.
Gabarito: C
O valproato de sódio é um daqueles fármacos que adoram bagunçar a farmacocinética dos outros, principalmente por inibir o metabolismo hepático de vários medicamentos. Na prática, isso pode elevar o nível plasmático de certas drogas e aumentar o risco de toxicidade, então a combinação exige atenção e ajuste de dose. A clássica associação perigosa é com a lamotrigina. O valproato reduz a depuração da lamotrigina ao inibir sua glicuronidação, o que faz a concentração plasmática subir de forma importante. O resultado é maior risco de efeitos adversos, especialmente rash cutâneo grave, incluindo síndrome de Stevens-Johnson, que é a complicação que mais assusta aqui. Por isso, quando lamotrigina é usada com valproato, a dose costuma ser mais baixa e a titulação, mais lenta do que o habitual. Esse é um ponto muito cobrado em psicofarmacologia e neurologia: não basta saber o remédio, você precisa lembrar quem aumenta o nível de quem. Então, o gabarito é a alternativa C. A lógica é simples: valproato + lamotrigina = aumento perigoso dos níveis de lamotrigina, com risco tóxico relevante. As demais opções não são a associação clássica cobrada por esse mecanismo.