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Psiquiatria · FGV · 2021

Questão comentada de Psiquiatria

O trato ou área dopaminérgica responsável pelos efeitos colaterais parkinsonianos dos medicamentos antipsicóticos é:

Gabarito: B

Os antipsicóticos fazem bloqueio de receptores dopaminérgicos, principalmente D2. Isso ajuda a reduzir sintomas psicóticos, mas também mexe em vias dopaminérgicas que têm funções normais no cérebro. Quando uma dessas vias é bloqueada, podem surgir efeitos adversos bem conhecidos na prática clínica. O quadro parkinsoniano medicamentoso aparece por interferência na via nigroestriatal, que participa do controle motor. Daí vêm rigidez, bradicinesia, tremor e aquela impressão de que o paciente ficou mais lento e “travado”. A via nigroestriatal vai da substância negra ao estriado e é a principal relacionada à coordenação dos movimentos. Se você bloqueia dopamina ali, o cérebro recebe um recado parecido com o do Parkinson, mesmo sem a doença estar presente. Por isso, medicamentos que bloqueiam fortemente D2 nessa rota podem provocar sintomas extrapiramidais, especialmente os parkinsonianos. As outras vias dopaminérgicas também são importantes, mas com efeitos diferentes: a mesolímbica-mesocortical se relaciona ao efeito antipsicótico e a sintomas negativos/cognição; a tuberoinfundibular se liga à prolactina; e a mesolímbica/estriatal ventral se associa mais a recompensa e motivação. Então, quando a questão fala em efeito colateral parkinsoniano dos antipsicóticos, a lembrança deve ir direto para a via nigroestriatal. Em resumo: efeito terapêutico e efeitos adversos andam juntos porque o remédio não escolhe só o caminho “ruim” da psicose. Ele bloqueia dopamina em várias rotas, e a via nigroestriatal é a culpada clássica pelos sintomas parkinsonianos. É a fisiologia cobrando seu preço, como sempre.

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