Dentre as opções abaixo, assinale a que não descreve um objetivo da avaliação psicossocial nos pacientes com dores crônicas.
- A)Avaliar quais os fatores psicossociais que podem estar contribuindo para a exacerbação das queixas de dor.
Correta, porque a avaliação psicossocial busca identificar fatores que possam piorar ou manter a dor crônica.
- B)Obter dados importantes para o planejamento e a implementação do tratamento.
Correta, pois esses dados orientam o planejamento e a implementação do tratamento de forma mais individualizada.
- C)Dimensionar a influência por processos psicológicos e comportamentais na persistência do quadro álgico.
Correta, já que a avaliação considera a influência de processos psicológicos e comportamentais na persistência da dor.
- D)Avaliar a possibilidade de tratar-se de uma dor psicogênica.
Errada, porque a avaliação psicossocial não tem como objetivo rotular a dor como psicogênica; a visão atual é biopsicossocial.
- E)Identificar estratégias de coping.
Correta, pois identificar estratégias de coping faz parte da análise de como o paciente lida com a dor.
Gabarito: D
Na dor crônica, a avaliação psicossocial não serve para “psicologizar” a queixa nem para dizer que a dor é imaginária. O objetivo é entender como fatores emocionais, comportamentais, familiares, ocupacionais e sociais podem estar influenciando a intensidade da dor, a manutenção do quadro e a resposta ao tratamento. Em prova, pense sempre em uma abordagem biopsicossocial: a dor é real, mas pode ser modulada por vários elementos ao redor dela. Por isso, essa avaliação ajuda a identificar gatilhos de piora, barreiras terapêuticas e estratégias de enfrentamento do paciente. Também fornece dados úteis para montar um plano de tratamento mais eficaz, incluindo medidas farmacológicas, fisioterapia, psicoterapia e orientações de autocuidado. Em outras palavras: não é só medir a dor, é entender a vida que vem junto com ela. O gabarito é a alternativa D porque “dor psicogênica” não é um objetivo da avaliação psicossocial nos moldes atuais. A ideia de rotular a dor como puramente psicogênica é reducionista e incompatível com a visão moderna da dor crônica, que envolve interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. A doutrina em dor crônica e psiquiatria trabalha com o modelo biopsicossocial, e não com a simplificação de que a dor venha só da mente. Então, quando a banca falar em avaliação psicossocial, procure palavras como fatores contribuintes, planejamento terapêutico, persistência da dor e coping. Se aparecer a tentativa de transformar a dor em algo “só psicológico”, desconfie: geralmente é exatamente aí que mora a pegadinha.