A respeito dos critérios diagnósticos do Transtorno Neurocognitivo Leve (TNL), de acordo com o DSM-5, é correto afirmar que:
- A)para que sejam satisfeitos os critérios para o diagnóstico de TNL, os déficits cognitivos não podem ocasionar alterações comportamentais;
Errada, porque o TNL pode sim vir acompanhado de alterações comportamentais, desde que o quadro não comprometa a independência funcional.
- B)os déficits cognitivos no TNL não interferem na capacidade de ser independente para atividades cotidianas;
Certa, pois no TNL há declínio cognitivo, mas a independência para as atividades cotidianas permanece preservada, ainda que com mais esforço.
- C)o diagnóstico de TNL não pode ser aplicado quando o paciente tem doença de Parkinson;
Errada, porque o TNL pode ser diagnosticado em pacientes com doença de Parkinson, que é uma causa possível de transtorno neurocognitivo.
- D)o diagnóstico de TNL é característico do idoso, não podendo ser aplicado em indivíduos com menos de 65 anos de idade;
Errada, porque o TNL não é exclusivo do idoso e pode ocorrer em adultos mais jovens, inclusive por diversas etiologias neurológicas.
- E)o diagnóstico de TNL não pode ser aplicado quando o paciente tem lesão cerebral traumática.
Errada, porque o TNL pode sim ser aplicado em casos de lesão cerebral traumática, que é uma das causas reconhecidas no DSM-5.
Gabarito: B
O Transtorno Neurocognitivo Leve (TNL), no DSM-5, é aquele quadro em que existe declínio cognitivo mensurável, mas a pessoa ainda consegue manter sua independência nas atividades do dia a dia. Em outras palavras: há prejuízo, mas não a ponto de precisar de ajuda constante para viver. Pode haver mais lentidão, mais esforço e até pequenas adaptações na rotina, porém o paciente continua funcional. O DSM-5 exige evidência de declínio em um ou mais domínios cognitivos, como memória, atenção, linguagem, funções executivas ou habilidades perceptivas. Esse declínio pode ser causado por várias condições, como doença de Alzheimer, doença de Parkinson, traumatismo cranioencefálico, HIV, doença cerebrovascular e outras. Então não é um diagnóstico exclusivo do idoso nem de uma causa específica. A grande diferença entre TNL e Transtorno Neurocognitivo Maior está na independência funcional. No TNL, a autonomia está preservada, embora possa haver maior dificuldade, lentificação ou necessidade de estratégias compensatórias. No Transtorno Neurocognitivo Maior, o prejuízo já interfere de forma importante na independência. Essa é a chave da questão e o motivo de a alternativa B estar correta. Portanto, a banca quer que você guarde a ideia central: no TNL existe déficit cognitivo, mas sem perda da independência para as atividades cotidianas. Esse é exatamente o recorte diagnóstico do DSM-5, e ele vale mesmo quando a causa é Parkinson ou traumatismo craniano.