De acordo com os critérios diagnósticos do DSM-5, em relação aos transtornos do neurodesenvolvimento, é correto afirmar que:
- A)quando um indivíduo apresenta comportamentos motores repetitivos e sem propósito, como agitar as mãos, balançar o corpo, bater a cabeça, morder-se ou machucar-se, o diagnóstico de espectro autista deve ser feito, mesmo quando não há déficits na comunicação e interação social identificáveis;
Errada, porque comportamentos repetitivos isolados não bastam para diagnosticar TEA sem déficits persistentes de comunicação e interação social.
- B)o transtorno do espectro autista somente é diagnosticado quando os déficits persistentes de comunicação e interação social são acompanhados por padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades;
Certa, porque o DSM-5 exige, para TEA, déficits persistentes de comunicação/interação social associados a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
- C)não é comum a ocorrência de mais de um transtorno do neurodesenvolvimento em um mesmo indivíduo;
Errada, porque é comum haver comorbidade entre vários transtornos do neurodesenvolvimento no mesmo indivíduo.
- D)alucinações e delírios são sintomas que também costumam ocorrer no transtorno do espectro autista;
Errada, porque alucinações e delírios não costumam fazer parte do quadro típico do TEA.
- E)a catatonia não é um especificador para o diagnóstico do transtorno do espectro autista.
Errada, porque a catatonia pode ser usada como especificador associado ao TEA em determinadas apresentações clínicas.
Gabarito: B
No DSM-5, o transtorno do espectro autista (TEA) não é definido só por comportamento repetitivo ou interesse restrito. Para fechar o diagnóstico, você precisa de dois blocos juntos: déficits persistentes na comunicação social e na interação social, e também padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Em outras palavras, não basta a pessoa ser repetitiva: tem que haver prejuízo na comunicação/interação social também. É exatamente por isso que a alternativa B está correta. Ela reproduz a lógica central do DSM-5: o TEA só é diagnosticado quando os dois conjuntos de critérios aparecem em conjunto. Esse é o ponto que mais cai em prova, porque a banca gosta de trocar um critério pelo outro como se um fosse suficiente sozinho. Outro detalhe importante: comportamentos motores estereotipados podem existir no TEA, mas também aparecem em outros transtornos do neurodesenvolvimento, inclusive na deficiência intelectual e em outros quadros. Então o diagnóstico não pode ser feito apenas por esse tipo de comportamento isolado. Além disso, alucinações e delírios não são manifestações típicas do TEA, e a catatonia não é um especificador do TEA no DSM-5. A prova tenta confundir você misturando sintomas de psicose e especificadores que pertencem a outros contextos diagnósticos. Então a chave aqui é simples: TEA exige comunicação social prejudicada + comportamentos restritos e repetitivos.