Mulher esquizofrênica, internada em uma clínica psiquiátrica, apresenta febre alta, leucocitose, instabilidade autonômica e rigidez muscular. O diagnóstico mais provável é:
- A)síndrome de retirada do inibidor de recaptura de serotonina;
Errada: síndrome de retirada de ISRS pode causar sintomas como ansiedade, irritabilidade, tontura e sintomas gripais, mas não costuma dar rigidez intensa, instabilidade autonômica e hipertermia marcante.
- B)toxicidade por lítio;
Errada: toxicidade por lítio pode causar tremor, ataxia, confusão e alterações gastrointestinais, mas o quadro descrito com febre alta e rigidez muscular é mais compatível com outra síndrome.
- C)meningite;
Errada: meningite pode dar febre e alteração do estado mental, mas a associação com uso de antipsicótico e o padrão de rigidez e instabilidade autonômica apontam para outra causa.
- D)distonia aguda grave;
Errada: distonia aguda grave causa espasmos e posturas sustentadas, porém não explica bem febre alta, leucocitose e disautonomia sistêmica.
- E)síndrome neuroléptica maligna.
Certa: a combinação de hipertermia, rigidez muscular, leucocitose e instabilidade autonômica em paciente em uso de antipsicótico é típica de síndrome neuroléptica maligna.
Gabarito: E
A síndrome neuroléptica maligna é uma emergência psiquiátrica clássica e costuma aparecer em pacientes em uso de antipsicóticos, especialmente quando há aumento de dose, troca de medicamento ou sensibilidade maior ao bloqueio dopaminérgico. Ela se apresenta com a tríade que a banca adora cobrar: hipertermia, rigidez muscular importante e alteração do estado autonômico, frequentemente acompanhadas de leucocitose e elevação de creatinoquinase. Ou seja: febre alta + rigidez + instabilidade autonômica em uma paciente esquizofrênica internada faz o alarme disparar imediatamente. O ponto central é o contexto clínico. Uma mulher internada em clínica psiquiátrica tem grande chance de estar usando neurolépticos. Quando surge esse quadro sistêmico grave, a primeira hipótese deve ser síndrome neuroléptica maligna, porque ela pode evoluir rapidamente com rabdomiólise, insuficiência renal e risco de morte. O raciocínio é bem de prova: não é apenas febre, nem apenas rigidez, mas o conjunto todo com instabilidade autonômica. Na prática, o manejo envolve suspender o antipsicótico, dar suporte clínico intensivo e, em alguns casos, usar dantrolene, bromocriptina ou agonistas dopaminérgicos, conforme gravidade e protocolo do serviço. A FGV gosta muito de comparar esse quadro com outras síndromes tóxicas ou neurológicas para ver se você cai na armadilha do “parece, mas não é”. Então, por que a letra E está correta? Porque a descrição é praticamente um retrato da síndrome neuroléptica maligna: febre alta, leucocitose, instabilidade autonômica e rigidez muscular em paciente psiquiátrica internada. É o tipo de questão em que o enunciado não está sussurrando a resposta, ele está gritando.