Segundo Benjamin J. Sadock, Virginia A. Sadock e Pedro Ruiz, em seu livro “Kaplan e Sadock - Compêndio de Psiquiatria, Ciência do Comportamento e Experiência Clínica - 11ª Edição, referente as características clínicas da esquizofrenia, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)A história do paciente é essencial para o diagnóstico do transtorno.
Correta: a história clínica detalhada é fundamental para o diagnóstico da esquizofrenia.
- B)Os médicos não podem diagnosticar sua existência simplesmente pelos resultados de um exame do estado mental, os quais podem variar.
Correta: o exame do estado mental auxilia, mas sozinho não define o diagnóstico, pois os achados podem variar.
- C)Os sintomas do paciente mudam ao longo do tempo. Por exemplo, um paciente pode ter alucinações intermitentes e capacidades variável de desempenho adequado em situações sociais, ou sintomas significativos de um transtorno do humor podem ir e vir durante o curso de esquizofrenia.
Correta: a expressão clínica da esquizofrenia pode mudar ao longo do tempo, com flutuações de sintomas e funcionamento.
- D)Alucinações auditivas são as mais comuns, vozes muitas vezes ameaçadoras, acusatórias ou ofensivas são frequentemente relatadas entre os pacientes com esquizofrenia. Constatar um distúrbio da percepção como esse é um forte indicador do diagnóstico da esquizofrenia, já que é um sintoma patognomônico do transtorno.
Errada: alucinações auditivas são comuns, mas não são patognomônicas da esquizofrenia.
- E)Os médicos devem levar em conta o nível de escolaridade do paciente, capacidade intelectual e identidade cultural e subcultura. A pouca capacidade de compreender conceitos abstratos, por exemplo, pode refletir a escolaridade do paciente ou sua inteligência. Organizações e cultos religiosos podem ter costumes que parecem estranhos para pessoas de fora, mas que são normais para aquelas que compartilham desse contexto cultural.
Correta: é preciso considerar escolaridade, capacidade intelectual e contexto cultural para não patologizar diferenças normais.
Gabarito: D
A esquizofrenia é um diagnóstico eminentemente clínico, ou seja, não existe exame laboratorial ou teste isolado que feche o diagnóstico sozinho. Por isso, a história psiquiátrica bem colhida, com início, evolução, funcionamento social, escolaridade, contexto cultural e relatos de familiares, pesa muito na avaliação. O exame do estado mental ajuda bastante, mas pode variar de um momento para outro, então ele não substitui a história completa. Outro ponto importante é que os sintomas podem mudar ao longo do tempo. A pessoa pode ter fases com alucinações, períodos de melhor adaptação social e até sintomas de humor em alguns momentos do curso da doença. Isso faz parte da apresentação variável do transtorno e exige olhar longitudinal, não apenas uma foto do atendimento de hoje. A alternativa D está incorreta porque trata alucinação auditiva como sintoma patognomônico da esquizofrenia. Na prática, embora vozes sejam muito comuns nesse transtorno, alucinações auditivas também aparecem em outros quadros psiquiátricos e neurológicos. Então elas podem fortalecer a suspeita, mas não definem sozinhas o diagnóstico. Isso está em linha com o Kaplan e Sadock, que reforça diagnóstico clínico, curso longitudinal e exclusão de outras explicações. Também é essencial considerar o nível de escolaridade, a capacidade intelectual e o contexto cultural. O que parece estranho para alguém de fora pode ser apenas uma manifestação cultural legítima, e não psicose. Em psiquiatria, contexto é tudo: sem ele, o risco de confundir variação humana com doença aumenta bastante.