Embora a avaliação neuropsicológica não seja necessária para o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela traz contribuições importantes para o entendimento do quadro pelo psiquiatra. Segundo a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) existem especificadores do TEA que podem modificar de modo significativo a apresentação clínica, a proposta terapêutica e o prognóstico. Os especificadores que denotam modificação na apresentação clínica nos casos de TEA são:
- A)presença de catatonia, agitação ou comportamento desorganizado.
Errada: catatonia, agitação ou comportamento desorganizado não são os especificadores clássicos que a questão pede para modificar a apresentação clínica do TEA.
- B)presença de deficiência intelectual ou de algum transtorno de linguagem.
Certa: o DSM-5 destaca a presença ou ausência de deficiência intelectual e de transtorno de linguagem como especificadores que influenciam diretamente a apresentação clínica.
- C)associação a alguma condição médica ou genética ou a fator ambiental.
Errada: associação com condição médica/genética ou fator ambiental é um especificador importante, mas não é o mais diretamente ligado à modificação da apresentação clínica cobrada no enunciado.
- D)prejuízos na comunicação social e padrões de comportamento restritos.
Errada: prejuízos na comunicação social e padrões restritos de comportamento são critérios diagnósticos centrais do TEA, não especificadores.
Gabarito: B
No DSM-5, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito com especificadores que ajudam a deixar o quadro mais claro para o psiquiatra, especialmente quando você quer entender como a condição aparece na prática e o que isso muda no cuidado. Entre esses especificadores, os que mais mexem na apresentação clínica são os que indicam se existe ou não deficiência intelectual e se existe ou não prejuízo de linguagem. Isso porque esses dois fatores alteram bastante a comunicação, a autonomia e o prognóstico funcional do paciente. Na prática, não basta dizer que a pessoa tem TEA: é importante registrar se há deficiência intelectual associada e se há comprometimento de linguagem. Um paciente com TEA e deficiência intelectual, por exemplo, costuma precisar de intervenções mais intensivas e adaptadas ao nível cognitivo e comunicativo. O mesmo vale para um TEA com transtorno de linguagem, em que a dificuldade de comunicação pode ser um dos pontos centrais do manejo. É exatamente por isso que a alternativa B está correta. Ela traz os especificadores do DSM-5 que realmente mudam a forma de o TEA se apresentar clinicamente: presença de deficiência intelectual ou de algum transtorno de linguagem. Esses itens são usados para qualificar o diagnóstico e orientar melhor a proposta terapêutica. Vale lembrar que outros especificadores do DSM-5 também existem, como associação a condição médica ou genética, fator ambiental, outro transtorno do neurodesenvolvimento, transtorno mental, catatonia, entre outros. Mas, quando a questão fala em modificação da apresentação clínica do TEA, o foco clássico cobrado é justamente a presença de deficiência intelectual e de alteração de linguagem.