Paciente com quadro de intoxicação por cocaína com hipertensão arterial e dor torácica. Descarta-se síndrome coronariana aguda. Qual o tratamento mais adequado?
- A)Suporte + naloxona.
Errada: naloxona é usada em intoxicação por opioides, não em intoxicação por cocaína.
- B)Suporte + fumazenil.
Errada: flumazenil é antídoto para benzodiazepínicos, não trata intoxicação por cocaína.
- C)Suporte + betabloqueador.
Errada: betabloqueador isolado pode piorar vasoconstrição e hipertensão pela ação alfa sem oposição.
- D)Suporte + benzodiazepínico + alfabloqueador.
Certa: benzodiazepínico reduz a hiperatividade simpática e alfabloqueador trata a vasoconstrição/hipertensão da cocaína.
- E)Suporte + benzodiazepínico + betabloqueador.
Errada: betabloqueador isolado não é a conduta de escolha na intoxicação por cocaína e pode agravar o quadro.
Gabarito: D
Na intoxicação por cocaína, o problema central é a hiperestimulação simpática: o paciente fica agitado, taquicárdico, hipertenso e pode ter dor torácica. A primeira medida é sempre suporte clínico, com monitorização, controle da agitação e avaliação de complicações. Se houver dor no peito, a prioridade inicial é descartar síndrome coronariana aguda, porque cocaína pode causar vasoespasmo coronariano e até infarto. Depois que a síndrome coronariana aguda é descartada, o tratamento mais útil é acalmar o sistema nervoso simpático. Os benzodiazepínicos ajudam muito porque reduzem agitação, ansiedade e a descarga adrenérgica. Se a hipertensão ou a vasoconstrição persistirem, entra o bloqueio alfa-adrenérgico, como a fentolamina, que combate o excesso de efeito alfa da cocaína. O ponto clássico de prova é que betabloqueador isolado não é a melhor escolha nesse cenário. Em intoxicação por cocaína, bloquear apenas beta pode deixar o alfa “sem freio”, piorando a vasoconstrição e a hipertensão. Por isso, a banca costuma cobrar a ideia de benzodiazepínico associado a alfabloqueador quando o quadro exige tratamento medicamentoso além do suporte. Em resumo: suporte, benzodiazepínico para reduzir a descarga simpática e alfabloqueador para controlar a vasoconstrição e a pressão. É exatamente por isso que a alternativa D é a correta. A lógica é bem doutrinária e clássica em urgência toxicológica, com forte rejeição ao betabloqueio isolado nesse contexto.