Paciente, 68 anos, etilista de longa data, já apresentou no passado quadro de abstinência alcoólica grave. Considerando o risco de desenvolver Delirium tremens, qual das medicações relacionadas a seguir deve ser evitadas?
- A)Clozapina.
Correta: a clozapina reduz o limiar convulsivo e deve ser evitada em paciente com risco de delirium tremens.
- B)Diazepam.
Errada: diazepam é benzodiazepínico de escolha na abstinência alcoólica e ajuda a prevenir convulsões e delirium.
- C)Lorazepam.
Errada: lorazepam também é benzodiazepínico usado no manejo da abstinência alcoólica, especialmente em pacientes mais idosos ou com comorbidades.
- D)Lamotrigina.
Errada: lamotrigina não é a medicação típica do manejo agudo da abstinência alcoólica, mas não é a principal preocupação clássica dessa questão.
- E)Ácido valproico.
Errada: ácido valproico pode reduzir excitabilidade neuronal, mas não é a resposta esperada para o fármaco a ser evitado neste contexto.
Gabarito: A
O delirium tremens é a forma mais grave da abstinência alcoólica. Ele costuma aparecer alguns dias após a redução ou suspensão do álcool e vem com confusão mental, agitação, tremores, alucinações, sudorese e instabilidade autonômica. Como a fisiopatologia envolve hiperexcitação do SNC, o tratamento de escolha é com benzodiazepínicos, que ajudam a prevenir convulsões e a piora do quadro. Por isso, diazepam e lorazepam são fármacos clássicos nesse contexto. Eles aumentam a ação do GABA e “freiam” a abstinência, então fazem sentido quando existe risco de delirium tremens. Já medicações que baixam o limiar convulsivo devem ser evitadas, porque o paciente em abstinência alcoólica já está mais vulnerável a crises epilépticas. A clozapina é a vilã da história porque tem risco conhecido de reduzir o limiar convulsivo. Em um etilista com antecedente de abstinência grave, isso é uma péssima ideia. Em prova, a lógica é simples: se o cenário é risco de convulsão por abstinência, você pensa em proteger o paciente, não em oferecer um remédio que pode facilitar crise. Observação útil de concurso: a literatura e as diretrizes psiquiátricas e clínicas sobre abstinência alcoólica reforçam benzodiazepínicos como primeira linha, enquanto antipsicóticos como a clozapina exigem cautela justamente pelo risco de convulsões e piora neurológica.