Paciente em uso de desvenlafaxina 200 mg com resposta parcial; mantém sintomas depressivos. A melhor conduta é acrescentar
- A)Sertralina 50 mg.
Errada: associar sertralina a desvenlafaxina nao é a melhor conduta e ainda aumenta o risco de síndrome serotoninérgica.
- B)Lurasidona 20 mg.
Errada: lurasidona nao é a principal escolha para potencialização da depressão unipolar parcialmente responsiva a antidepressivo.
- C)Paroxetina 20 mg.
Errada: paroxetina com desvenlafaxina também representa duplicação de ação serotoninérgica, sem ser a estratégia preferida.
- D)Brexpiprazol 1 mg.
Certa: brexpiprazol é opção de augmentação no transtorno depressivo maior com resposta parcial ao antidepressivo.
- E)Lamotrigina 100 mg.
Errada: lamotrigina é mais útil em transtorno bipolar e nao é adjuvante padrão para depressao unipolar nessa situacao.
Gabarito: D
Quando a depressao responde so em parte a um antidepressivo em dose adequada, voce pensa em duas estrategias: trocar a medicação ou fazer potencializacao (augmentation). Se o paciente já está com desvenlafaxina em dose alta e ainda mantém sintomas, a conduta cobrada aqui é acrescentar um agente potencializador, nao “misturar dois antidepressivos” por rotina. A desvenlafaxina é um ISRSN, e a ideia de somar sertralina ou paroxetina é pouco elegante e aumenta risco de efeitos adversos, especialmente síndrome serotoninérgica, sem ser a melhor estrategia de prova. Lamotrigina é mais lembrada como estabilizador do humor, com papel maior em transtorno bipolar e depressão bipolar, não como reforço padrão da depressão unipolar. A lurasidona até pode aparecer como opção em depressão bipolar e alguns cenários específicos, mas não é a escolha clássica para potencializar um quadro depressivo unipolar com resposta parcial a antidepressivo. Já o brexpiprazol é um antipsicótico atípico usado como adjuvante no transtorno depressivo maior, exatamente para casos de resposta incompleta ao antidepressivo. Por isso o gabarito D faz sentido: brexpiprazol 1 mg é uma estratégia de augmentação reconhecida para depressão maior resistente ou parcialmente responsiva. Em outras palavras, o paciente já tem a base antidepressiva e você acrescenta um reforço com evidência, em vez de só empilhar mais serotonina.