Paciente, sexo masculino, 56 anos, quadro de esquizofrenia desde os 20 anos. Apresenta obesidade e diabetes mellitus tipo II. Está sem fazer uso de medicação antipsicótica para o quadro; apresenta sintomas positivos. Histórico de SEP com uso de risperidona na dose de 1 mg. Qual a medicação mais indicada para o quadro?
- A)Lurasidona.
Correta, porque a lurasidona tem perfil metabólico mais favorável e é uma boa escolha em paciente com obesidade e diabetes.
- B)Quetiapina.
Errada, pois a quetiapina pode causar sedação e ganho de peso, sendo menos interessante para quem já tem risco metabólico elevado.
- C)Olanzapina.
Errada, porque a olanzapina tem alto risco de ganho ponderal e piora glicêmica, o que é ruim neste paciente.
- D)Haloperidol.
Errada, já que o haloperidol é típico e tende a ter mais efeitos extrapiramidais, sem ser a melhor opção para o perfil clínico descrito.
- E)Clorpromazina.
Errada, pois a clorpromazina também pode causar sedação e efeitos anticolinérgicos importantes, além de não ser a melhor escolha em paciente com diabetes e obesidade.
Gabarito: A
Na esquizofrenia, a escolha do antipsicótico não depende só do controle dos sintomas positivos. Você precisa olhar o terreno do paciente: idade, risco metabólico, diabetes, obesidade, sedação e efeitos extrapiramidais. Em alguém com obesidade e diabetes tipo II, a ideia é fugir das medicações que pioram bastante peso e glicemia, porque isso pode transformar um tratamento psiquiátrico em um problema clínico extra. A lurasidona é uma opção muito boa nesse cenário porque tem perfil metabólico mais favorável, com menor ganho de peso e menor impacto sobre glicose e lipídios quando comparada a vários outros antipsicóticos. Além disso, é eficaz para sintomas positivos da esquizofrenia, o que atende ao quadro descrito no enunciado. Já olanzapina é famosa por ser eficiente, mas também por aumentar bastante peso e piorar parâmetros metabólicos. Em um paciente obeso e diabético, ela costuma ser uma escolha ruim, quase como colocar gasolina no incêndio. Quetiapina também pode causar sedação e ganho ponderal, e os típicos como haloperidol e clorpromazina podem trazer mais efeitos extrapiramidais e outros efeitos adversos, sem vantagem metabólica relevante. Portanto, o raciocínio é simples: esquizofrenia com sintomas positivos, mas com alto risco metabólico, pede um antipsicótico com menor impacto em peso e diabetes. Por isso, a alternativa correta é a lurasidona.