Paciente, 80 anos, sexo feminino, apresenta há dois meses quadro de insônia, dor no corpo, tristeza, desânimo, hiporexia e falta de energia. Perdeu 5 kg; o apetite está reduzido. ApresentaHipertensão Arterial Sistêmica (HAS), constipação crônica, nega outras doenças clínicas. Considerando o caso clínico hipotético, qual o medicamento mais indicado para o quadro?
- A)Fluoxetina.
Errada: a fluoxetina pode ser útil na depressão, mas tende a ser mais ativadora e não ajuda tanto na insônia, no apetite baixo e na perda de peso.
- B)Bupropiona.
Errada: a bupropiona pode piorar insônia e reduzir apetite, então não é a melhor escolha para uma idosa já emagrecida e comendo pouco.
- C)Mirtazapina.
Certa: a mirtazapina é útil em depressão com insônia, hiporexia e perda de peso, porque costuma aumentar apetite e melhorar o sono.
- D)Amitriptilina.
Errada: a amitriptilina tem muitos efeitos anticolinérgicos e é mal tolerada no idoso, além de não ser boa opção de primeira linha nesse contexto.
- E)Desvenlafaxina.
Errada: a desvenlafaxina pode ser uma opção antidepressiva, mas não é a melhor para este perfil, pois não tem o mesmo perfil de ganho de apetite e melhora do sono.
Gabarito: C
Em psiquiatria geriátrica, a escolha do antidepressivo não é só pensar na depressão, mas também no conjunto de sintomas do idoso e nas comorbidades. Aqui, a paciente tem humor deprimido, perda de peso, hiporexia, insônia e muita falta de energia, um quadro em que faz bastante sentido preferir uma droga que ajude o sono e o apetite ao mesmo tempo. Isso é muito útil no idoso, porque tratar a depressão sem piorar a fragilidade nutricional e o descanso já melhora bastante a qualidade de vida. A mirtazapina é uma excelente opção nesses casos porque costuma aumentar o apetite, favorecer ganho de peso e ajudar na insônia. Ela é muito lembrada quando o idoso deprimido também está emagrecendo, comendo mal e dormindo mal. Ou seja: ela “fecha o pacote” dos sintomas desta paciente de forma bem conveniente. Já os outros antidepressivos da lista não encaixam tão bem nesse perfil. Alguns podem ser mais ativadores, outros têm mais risco de efeitos anticolinérgicos, cardiovasculares ou de intolerância no idoso. Em geriatria, a regra prática é escolher o remédio olhando para o organismo real do paciente, não só para o nome da doença. Por isso, o gabarito é a letra C. A mirtazapina é a opção mais indicada quando depressão vem acompanhada de insônia, hiporexia e perda ponderal, especialmente em paciente idosa. É uma escolha clássica e muito cobrada em prova.