Criança, 6 anos, foi levada à consulta devido à sua dificuldade em se comunicar na escola, onde se mantém completamente em silêncio, mesmo estando em um ambiente onde outros colegas falam livremente. Porém, em casa, ela se comunica normalmente com os familiares e até demonstra comportamentos extrovertidos. Considerando esse quadro clínico hipotético, assinale o diagnóstico mais provável e a descrição correta.
- A)Transtorno do espectro autista; pode ocorrer deficit na habilidade de comunicação social.
Errada: no TEA, a dificuldade de comunicação social é mais global e não costuma ficar restrita apenas à escola.
- B)Transtorno depressivo maior; pode ocorrer baixa autoestima, comportamento evitativo e falta de iniciativa, culminando no quadro apresentado.
Errada: o transtorno depressivo maior pode reduzir iniciativa e interação, mas não explica bem a fala preservada em casa com silêncio apenas em contextos específicos.
- C)Mutismo seletivo; não envolve um medo explícito de interações sociais, mas é caracterizado por um transtorno mais centrado no controle motor da fala.
Errada: o mutismo seletivo é mais relacionado à ansiedade do que a um problema de controle motor da fala, que sugere outros diagnósticos.
- D)Transtorno do espectro autista; pode ocorrer um padrão de silêncio persistente em contextos sociais específicos, como na escola e outras situações públicas.
Errada: embora o silêncio possa ocorrer em contextos sociais, o TEA não se caracteriza por comunicação normal em casa e mutismo apenas em ambiente escolar.
- E)Mutismo seletivo; quadro frequentemente associado a transtornos de ansiedade e a uma resistência extrema a falar em situações específicas, sem que haja dificuldades de comunicação em outros contextos.
Certa: descreve o mutismo seletivo, com fala preservada em alguns contextos e bloqueio em situações sociais específicas, geralmente ligado à ansiedade.
Gabarito: E
O quadro descrito é típico de mutismo seletivo: a criança fala normalmente em alguns contextos, como em casa, mas fica sem conseguir se comunicar em outros, especialmente na escola. Não é birra, não é “teimosia” e nem falta de inteligência. Em geral, o problema aparece em situações sociais específicas e costuma estar ligado à ansiedade, principalmente ansiedade social. O ponto-chave aqui é a discrepância entre os ambientes. Se a criança se comunica bem com a família, mas trava completamente em locais como escola, isso aponta mais para mutismo seletivo do que para transtornos do neurodesenvolvimento. No TEA, por exemplo, a dificuldade de comunicação costuma ser mais ampla e persistente, não limitada a um único contexto. Também ajuda lembrar a definição clínica: o mutismo seletivo é a falha consistente em falar em situações sociais específicas, apesar de falar em outras situações, e isso interfere no funcionamento escolar e social. O DSM-5-TR coloca o quadro entre os transtornos de ansiedade, o que combina com essa apresentação de “congela quando precisa falar fora de casa”. Por isso, a alternativa E está correta: ela descreve justamente a resistência extrema a falar em situações específicas, com preservação da comunicação em outros contextos, frequentemente associada a ansiedade. É a clássica pegadinha da prova querendo fazer você confundir silêncio situacional com autismo ou depressão.