No ambiente clínico-cirúrgico de um hospital geral, é relativamente comum se deparar com uma situação que pode necessitar de uma interconsulta psiquiátrica, o paciente conhecido como “paciente problema” ou “paciente difícil”. Este perfil pode levar a comportamentos de impacto negativo no prognóstico do paciente, gerando dificuldades ao próprio tratamento. Diante do exposto, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Em geral, trata-se de um indivíduo com perfil reivindicador, hostil, acusatório e autodestrutivo.
Correta, porque o paciente difícil costuma mesmo ter postura reivindicadora, hostil, acusatória e com traços autodestrutivos.
- B)Como conduta da equipe, deve-se estabelecer limites de maneira firme, impondo as regras do hospital e punições, caso necessário.
Errada, porque a equipe deve estabelecer limites firmes e consistentes, mas sem adotar punições como estratégia de manejo.
- C)Pacientes com traços de personalidade borderline, narcisistas ou antissociaissão, particularmente, propensos a serem rotulados desta forma.
Correta, pois pacientes com traços borderline, narcisistas e antissociais são frequentemente os mais rotulados como pacientes difíceis.
- D)É necessário uma boa articulação da equipe, pois o paciente pode usar de recursos manipuladores como ter posturas diferentes diante de cada membro.
Correta, já que a articulação da equipe é essencial para evitar manipulação, cisão e atitudes diferentes diante de cada profissional.
Gabarito: B
O chamado “paciente difícil” no hospital geral costuma ser aquele que mobiliza muito a equipe: reclama, acusa, testa limites, cria conflitos e, às vezes, repete comportamentos autodestrutivos. Isso não significa que ele seja “mau” ou que deva ser tratado com rigidez punitiva; na prática, a equipe precisa de técnica, coesão e postura consistente. Do ponto de vista da psiquiatria de interconsulta, esses pacientes frequentemente têm traços de personalidade borderline, narcisistas ou antissociais, e podem usar mecanismos como divisão da equipe, manipulação e tentativas de obter respostas diferentes de profissionais distintos. Por isso, a equipe precisa falar a mesma língua e manter limites claros. A alternativa B está incorreta porque a conduta adequada não é impor punições. O manejo recomendado é estabelecer limites de forma firme, respeitosa e previsível, com regras claras e comunicação uniforme entre os profissionais. “Punir” o paciente tende a piorar a relação terapêutica, aumentar a resistência e reforçar a escalada de conflito. Em resumo: com esse tipo de paciente, vale mais constância do que confronto. A intervenção é estruturada, mas não punitiva. A literatura de psiquiatria hospitalar e interconsulta reforça justamente a importância de equipe alinhada, contenção verbal e manejo de limites, em vez de respostas emocionais ou disciplinares.