A simulação representa um diagnóstico médico. Ela sinaliza que um indivíduo, durante um exame médico, de modo intencional, produz falsas alegações ou demonstra um comportamento patológico não verdadeiro, motivado por incentivos externos. Tendo em vista uma simulação caracterizada por uma produção de sintomas consciente e uma motivação inconsciente, assinale o quadro patológico mais provável.
- A)Transtorno factício.
Correta, porque no transtorno factício há produção intencional de sintomas sem incentivo externo claro, geralmente com motivação psicológica interna.
- B)Síndrome de Ganser.
Errada, porque a síndrome de Ganser envolve respostas aproximadas e quadro dissociativo/reativo, não a fabricação típica de sintomas com esse perfil.
- C)Pseudologia fantástica.
Errada, porque pseudologia fantástica é a mentira patológica, com narrativas fabulosas e repetidas, mas não define o quadro descrito na questão.
- D)Transtorno conversivo e dissociativo.
Errada, porque no transtorno conversivo e dissociativo os sintomas não são produzidos conscientemente; eles surgem de forma inconsciente.
Gabarito: A
Aqui mora uma pegadinha clássica da psiquiatria: a palavra "simulação" costuma lembrar produção de sintomas de forma intencional para obter algum ganho externo, como dinheiro, fugir do trabalho ou evitar punição. Isso é a chamada simulação propriamente dita, ou malingering, e não é um transtorno mental no sentido estrito, mas um comportamento com finalidade externa clara. Já o transtorno factício é diferente: a pessoa também produz ou finge sintomas de modo consciente, mas o objetivo não é um ganho material óbvio. Em geral, há uma motivação interna, como assumir o papel de doente, receber cuidados e atenção. Ou seja, o sintoma é fabricado, mas a "recompensa" é psicológica, não um benefício externo direto. Por isso o gabarito é a letra A. A descrição da questão aponta para produção intencional de sintomas, mas com motivação inconsciente ou interna, o que combina com transtorno factício. Na prática, o paciente pode inventar sinais, manipular exames ou até se lesionar para sustentar o quadro, o que faz o quadro parecer uma novela médica, mas com roteiro bem calculado. As outras alternativas confundem quadros psicopatológicos que podem simular sintomas, mas por mecanismos diferentes. Em prova, a chave é separar: ganho externo = simulação; necessidade de ser visto como doente, sem ganho externo evidente = transtorno factício.