Nas manifestações psiquiátricas que podem ser decorrentes de um insulto cerebral, os exames de neuroimagem são importantes como screening diagnóstico. Trata-se de um exemplo de indicação de exame de imagem cerebral na pratica psiquiátrica:
- A)Transtornos afetivos de início precoce.
Errada, porque transtornos afetivos de início precoce não são indicação universal de neuroimagem; o exame é reservado quando há suspeita de causa orgânica ou sinais de alerta.
- B)Indícios de alterações de personalidade em crianças.
Errada, porque alterações de personalidade em crianças exigem avaliação clínica ampla, mas neuroimagem não é indicação automática apenas por esse achado.
- C)Primeiro episódio psicótico, independentemente da idade.
Certa, porque o primeiro episódio psicótico deve ser investigado com neuroimagem para excluir lesão cerebral ou outra causa orgânica, mesmo sem depender da idade.
- D)Ausência de antecedente familiares em transtorno neuropsiquiátrico de início precoce.
Errada, porque a ausência de antecedente familiar não é, isoladamente, critério de indicação de exame de imagem cerebral na prática psiquiátrica.
Gabarito: C
Na psiquiatria, nem todo quadro deve ser tratado como algo “puramente funcional”. Quando existe suspeita de causa orgânica, especialmente de lesão ou insulto cerebral, a neuroimagem entra como exame de triagem para ajudar a não deixar passar tumor, AVC, lesão estrutural, processo infeccioso ou outras causas neurológicas que podem imitar transtornos mentais. É aquela lógica do concurso: antes de chamar de psiquiátrico, vale pensar se o cérebro não está pedindo socorro de outro jeito. Por isso, o exame de imagem é especialmente indicado em situações de maior risco de doença orgânica, como primeiro episódio psicótico, sintomas neurológicos associados, alteração do exame mental com suspeita clínica de lesão cerebral, início atípico ou apresentação que foge do padrão esperado. Nesse contexto, a alternativa correta é a C, porque o primeiro episódio psicótico merece investigação com neuroimagem para excluir causa estrutural, independentemente da idade. As demais alternativas até podem despertar atenção clínica, mas não são indicação clássica e geral de exame de imagem por si só. Em concurso, a banca costuma cobrar exatamente esse raciocínio: neuroimagem não é rotina para todo transtorno psiquiátrico, mas é recomendada quando há risco de que a origem seja orgânica ou quando o quadro apareceu de forma inaugural e precisa ser “despistado” de algo cerebral. Em resumo, a neuroimagem funciona como um filtro de segurança. Se o quadro pode ser a ponta do iceberg de uma lesão cerebral, você investiga primeiro, para depois fechar o diagnóstico psiquiátrico com mais tranquilidade.