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Psiquiatria · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Psiquiatria

Uma paciente comparece à consulta psiquiátrica com o relato de que vinha fazendo uso de sertralina para ansiedade, na dose de 50 mg, prescrito pelo médico emergêncista após comparecer a uma UPA com sintomas ansiosos. Diz que faz uso da medicação há dois anos, conseguindo receitas no postinho. Refere que descobriu estar gestante, atualmente com vinte semanas, e que foi orientada pela Ginecologista a procurar um psiquiatra para maiores esclarecimentos do risco de uso da medicação durante a gestação e amamentação. O psiquiatra informa que o período de maior risco para malformações fetais já passou, e que a medicação apresenta pouca passagem para o leite materno. Considerando o caso hipotético, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Na prática psiquiátrica, quando a paciente engravida usando um ISRS como a sertralina, a pergunta central é sempre a mesma: há risco relevante para o feto e para o recém-nascido? A resposta geral é que a sertralina costuma ser uma das opções mais usadas na gestação e na amamentação, porque tem bom perfil de segurança e baixa passagem para o leite materno. Isso não significa risco zero, claro, mas significa que ela costuma ser uma escolha aceitável quando o benefício clínico compensa. O ponto importante da questão é lembrar que o período de maior vulnerabilidade para malformações fetais é o primeiro trimestre, especialmente a fase de organogênese. Portanto, dizer que esse risco já passou quando a gestação está com 20 semanas faz sentido do ponto de vista teratogênico. A partir daí, o foco deixa de ser malformação estrutural e passa a ser acompanhamento de possíveis efeitos neonatais e do controle dos sintomas maternos. Na amamentação, a sertralina é frequentemente preferida justamente por apresentar baixa concentração no leite materno e pouca exposição do lactente. Por isso, a orientação do psiquiatra está correta ao tranquilizar a paciente, sem ignorar a necessidade de seguimento clínico individualizado. Em resumo: a ideia de que a sertralina teria grande passagem para o leite ou que o maior risco de malformação estaria no fim da gestação é o tipo de pegadinha que a prova adora. Mas, aqui, a orientação foi coerente com a prática psiquiátrica e com a literatura sobre ISRS na gestação e lactação.

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