Paciente, sexo feminino, 28 anos, apresenta quadro de depressão maior. Está em uso de escitalopram 20 mg com resposta parcial. A conduta a ser tomada é:
- A)Adicionar carbonato de lítio.
Correta: o lítio é um potencializador clássico em depressão maior com resposta parcial ao antidepressivo.
- B)Potencializar com venlafaxina 75 mg/dia.
Incorreta: venlafaxina é outro antidepressivo e não é a estratégia mais típica de potencialização nessa situação.
- C)Aumentar dose para 40 mg de escitalopram.
Incorreta: 40 mg de escitalopram excede a dose usual máxima recomendada e aumenta risco de efeitos adversos.
- D)Adicionar antipsicótico típico como o haloperidol.
Incorreta: haloperidol não é usado para potencializar tratamento de depressão maior e ainda traz efeitos extrapiramidais importantes.
Gabarito: A
Na depressão maior, quando a pessoa usa um antidepressivo em dose adequada e tem apenas resposta parcial, a próxima ideia costuma ser otimizar o tratamento em vez de trocar tudo às pressas. Uma estratégia clássica é a potencialização, isto é, adicionar um medicamento que aumente a chance de resposta do antidepressivo em uso. O carbonato de lítio é um potencializador tradicional e bem cobrado em prova, especialmente quando há resposta incompleta ao antidepressivo. Ele pode ajudar a “empurrar” a melhora clínica para além do que o ISRS sozinho conseguiu entregar. Em quadros resistentes ou parcialmente responsivos, isso é uma conduta consagrada na psicofarmacologia. Já aumentar escitalopram para 40 mg não é a melhor saída, porque a dose usual máxima é 20 mg/dia. Passar disso aumenta risco de efeitos adversos, inclusive prolongamento de QT, sem ser a conduta padrão. Trocar ou associar outro antidepressivo deve ser pensado com critério, e não como mistura automática de remédios. Por isso, no caso descrito, a melhor conduta é adicionar lítio. Em termos práticos de prova: resposta parcial a ISRS em depressão maior aponta para potencialização, e o lítio é um dos nomes clássicos dessa estratégia.