Paciente, sexo masculino, 62 anos, diagnóstico de esquizofrenia de longa data. Faz uso de haloperidol 10 mg/noite com resposta satisfatória desde os 35 anos de idade. Apresenta, porém, quadro de movimentos discinéticos orolinguais e em tronco de grande intensidade. A conduta a ser tomada diante do quadro apresentado consiste em:
- A)Trocar por clozapina.
Certa, porque a discinesia tardia por uso crônico de haloperidol pede troca para antipsicótico de menor risco extrapiramidal, como a clozapina.
- B)Iniciar biperidenos 2 mg/dia.
Errada, porque biperideno ajuda mais em distonia aguda e parkinsonismo induzido, não em discinesia tardia, podendo até piorá-la.
- C)Manter uso de haloperidol devido à estabilidade do quadro.
Errada, porque manter o haloperidol diante de discinesia tardia intensa preserva o fator causal e não trata o problema.
- D)Reduzir a dose de haloperidol visando melhora dos efeitos colaterais.
Errada, porque reduzir a dose pode ser insuficiente e não é a melhor conduta quando já há discinesia tardia importante.
Gabarito: A
A questão descreve uma discinesia tardia, isto é, movimentos involuntários orolinguais e de tronco que surgem após uso prolongado de antipsicótico típico, especialmente o haloperidol. Esse quadro é efeito adverso extrapiramidal tardio e costuma aparecer depois de anos de bloqueio dopaminérgico, como no caso, em vez de melhorar com medidas simples. Quando isso acontece, a primeira ideia não é “segurar a onda” com o mesmo remédio, porque o problema pode se tornar persistente e até irreversível. O manejo clássico é revisar o antipsicótico e, se possível, trocar para um de menor risco de sintomas extrapiramidais, com destaque para a clozapina. Ela é a opção mais cobrada porque tem baixa probabilidade de piorar discinesia tardia e pode inclusive ajudar no controle psicótico sem agravar tanto os movimentos. Em prova, esse é o raciocínio esperado: discinesia tardia + antipsicótico típico de longa data = pensar em troca por um atípico, especialmente clozapina. Já os anticolinérgicos, como biperideno, podem ser úteis em distonia aguda e parkinsonismo induzido por antipsicótico, mas não são a solução para discinesia tardia e podem até piorá-la. Reduzir a dose ou manter o haloperidol também não resolve o núcleo do problema quando a discinesia já está instalada e intensa. Portanto, o gabarito A está correto porque aponta a conduta mais adequada diante de um efeito extrapiramidal tardio importante por uso crônico de haloperidol.