A ocorrência de delírios em um indivíduo de 35 anos de idade e sem história conhecida de esquizofrenia ou de transtorno delirante deve sempre alertar o médico para a possibilidade de
- A)agorafobia.
Errada, porque agorafobia é um transtorno de ansiedade ligado a medo de situações ou locais, não uma causa típica de delírios.
- B)frotteirismo.
Errada, porque frotteurismo é um transtorno parafílico, sem relação direta com a emergência de delírios.
- C)transtorno do sono.
Errada, porque transtornos do sono podem alterar atenção e percepção, mas não são a principal hipótese a ser lembrada diante de delírios em adulto sem histórico psiquiátrico.
- D)abuso de substância.
Certa, porque delírios em adulto sem antecedente de esquizofrenia ou transtorno delirante exigem forte suspeita de uso, intoxicação ou abstinência de substâncias.
- E)transtorno dissociativo.
Errada, porque transtorno dissociativo envolve alterações de identidade, memória ou consciência, e não é a hipótese clássica para delírios.
Gabarito: D
Quando um adulto jovem ou de meia-idade apresenta delírios sem histórico prévio de esquizofrenia ou transtorno delirante, a primeira coisa que deve acender a luz amarela é a possibilidade de causa orgânica ou induzida por substância. Em prova, isso costuma aparecer como intoxicação, abstinência ou uso crônico de drogas e medicamentos com efeito no SNC. Afinal, nem todo delírio nasce de um transtorno psiquiátrico primário; às vezes ele vem de fora, como álcool, estimulantes, alucinógenos, corticosteroides e outras substâncias que bagunçam a percepção e o juízo crítico. O raciocínio clínico aqui é simples: delírio em quem não tem diagnóstico psiquiátrico prévio pede investigação de causa secundária antes de sair rotulando esquizofrenia. Isso é bem compatível com a psiquiatria clínica e com os critérios diagnósticos do DSM-5-TR, que exigem exclusão de substância ou condição médica para vários quadros psicóticos. Na prática, o médico deve pensar em intoxicação, abstinência, uso indevido de remédios e até poliuso. Por isso o gabarito é a letra D. A banca quer que você reconheça que, diante de delírios em um paciente de 35 anos sem história conhecida de psicose, o alerta principal é para abuso de substância. Não é uma pegadinha sofisticada: é o clássico lembrete de que, em psiquiatria, primeiro você descarta o que pode estar causando o sintoma antes de fechar o diagnóstico primário.