Uma mulher de 22 anos é admitida no Hospital devido à anestesia da mão direita que se desenvolveu após uma discussão com seu irmão. Ela está bem disposta e parece despreocupada quanto ao seu problema. Não há história de trauma físico. O exame neurológico é negativo exceto pela sensibilidade à dor diminuída em uma distribuição de luva sobre a mão direita. Sua família inteira está presente e expressando grande preocupação e atenção. Ela ignora seu irmão e parece alheia ao ciúme e à rivalidade crônicos descritos por sua família. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é de
- A)transtorno dismórfico corporal.
Errada, porque transtorno dismórfico corporal envolve preocupação excessiva com defeitos na aparência física, não déficit sensitivo neurológico.
- B)transtorno de personalidade histriônica.
Errada, porque transtorno de personalidade histriônica é marcado por teatralidade e busca de atenção, mas não explica esse déficit neurológico funcional.
- C)histeria.
Errada, porque 'histeria' é um termo antigo e impreciso, hoje substituído na classificação atual por transtorno de conversão.
- D)tumor cerebral parietal.
Errada, porque tumor cerebral parietal daria sinais neurológicos compatíveis com lesão orgânica, e o exame descrito não sugere isso.
- E)transtorno de conversão.
Certa, porque há sintoma neurológico desencadeado por estresse emocional, sem lesão orgânica demonstrável, com padrão sensitivo funcional típico.
Gabarito: E
A pista central da questão é a associação entre sintoma neurológico súbito e um estressor emocional claro: a anestesia na mão surgiu logo após uma discussão com o irmão. Em psiquiatria, isso acende a luz do transtorno de conversão, em que o paciente apresenta sintomas neurológicos sem lesão orgânica que explique o quadro, como perda de sensibilidade, fraqueza, crises ou alterações da marcha. O detalhe da distribuição em luva também é clássico, porque não respeita um território neurológico anatômico real. Outro ponto importante é o comportamento da paciente: ela parece despreocupada com o sintoma, o que é conhecido como la belle indifférence. Isso não é obrigatório para o diagnóstico, mas ajuda muito a pensar em conversão. O exame neurológico negativo, sem história de trauma físico, também reforça que não se trata de uma doença neurológica estrutural, como um tumor ou lesão focal. A ideia do transtorno de conversão é simples: o conflito psíquico aparece no corpo, mas sem produção intencional do sintoma. Ou seja, não é fingimento. A pessoa não está inventando para ganhar vantagem externa, o que ajuda a diferenciar de simulação. Na linguagem antiga, muitos autores chamavam esse quadro de histeria, mas o nome atual e mais aceito é transtorno de conversão. Por isso, o gabarito é a alternativa E. O quadro reúne início após estresse emocional, ausência de achados neurológicos objetivos, padrão sensitivo incompatível com neuroanatomia e aparente indiferença ao sintoma, formando o retrato clássico do transtorno de conversão.