Entre os transtornos mentais e comportamentais presentes no quadro de síndrome de abstinência devido ao uso de álcool, ocorre a hiperatividade do sistema nervoso central. No que se refere a esse quadro e a aspectos a ele relacionados, assinale a opção correta.
- A)O Baclofeno é antagonista do receptor GABA-B.
Errada: o baclofeno é agonista do receptor GABA-B, não antagonista.
- B)Há aumento da atividade do GABA e redução da sensibilidade do receptor GABA-A.
Errada: na abstinência alcoólica há redução da função inibitória do GABA, não aumento da atividade do GABA.
- C)Os fármacos mais utilizados no tratamento dessa síndrome são os antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS).
Errada: o tratamento da síndrome de abstinência alcoólica é feito principalmente com benzodiazepínicos, e não com ISRS.
- D)Nos casos em que houver suspeita de insuficiência hepática, deve ser descartado o uso de Lorazepam.
Errada: na suspeita de insuficiência hepática, o lorazepam costuma ser uma opção mais segura, não deve ser descartado.
- E)Entre os sinais e sintomas mais comuns desse quadro estão tremores, insônia, náusea e(ou) vômitos, agitação psicomotora, ansiedade e, em alguns casos, convulsões.
Certa: tremores, insônia, náusea e vômitos, agitação, ansiedade e convulsões podem ocorrer na síndrome de abstinência alcoólica.
Gabarito: E
Na abstinência de álcool, o cérebro fica em estado de hiperexcitação porque o álcool, que antes freava o sistema nervoso central, desaparece de repente. Como resultado, surgem sintomas bem típicos de abstinência: tremores, insônia, náuseas, vômitos, ansiedade, agitação psicomotora e, nos casos mais intensos, convulsões e até delirium tremens. É aquele quadro em que o corpo sente falta do “freio” químico e reage acelerando demais. O ponto-chave é lembrar que o tratamento costuma envolver benzodiazepínicos, não antidepressivos ISRS. Em provas, a banca gosta de misturar os remédios, mas aqui a lógica é controlar a hiperatividade do SNC com fármacos sedativos adequados e suporte clínico. Em pacientes com doença hepática, por exemplo, o lorazepam costuma ser preferido porque tem metabolismo menos dependente do fígado do que outros benzodiazepínicos. A alternativa correta é a que descreve o quadro clínico clássico da síndrome de abstinência alcoólica. Os sintomas citados, como tremores, insônia, náusea e vômitos, agitação, ansiedade e convulsões em alguns casos, são exatamente os achados esperados. Esse é o retrato que aparece nos manuais de psiquiatria e nos textos de clínica médica sobre abstinência alcoólica. Se você lembrar de uma coisa só, guarde isso: abstinência de álcool não é “tristeza”, é hiperativação neurovegetativa e do SNC. Por isso a clínica é agitada, tremulante e potencialmente grave, e o manejo precisa ser rápido e cuidadoso.