Em relação a transtorno factício e simulação, assinale a opção correta.
- A)Não há autoprodução de lesões no quadro de transtorno factício.
Errada: no transtorno factício pode haver autoprodução ou falsificação de lesões e sintomas, inclusive lesões físicas autoinduzidas.
- B)A presença de um ganho externo, como, por exemplo, aposentadoria, é o principal fator que diferencia a simulação do transtorno factício.
Certa: o ganho externo, como aposentadoria ou outro benefício concreto, é o principal marcador de simulação e ajuda a diferenciá-la do transtorno factício.
- C)A comunicação de ideação suicida é forte indício de que o paciente não é um simulador.
Errada: ideação suicida não exclui simulação, porque ela pode ser referida ou exagerada mesmo quando há interesse em obter algum benefício.
- D)No transtorno factício, os pacientes se submetem a menos riscos de iatrogenia ao acessarem os serviços de saúde.
Errada: no transtorno factício há maior risco de iatrogenia, porque o paciente costuma submeter-se a exames, procedimentos e tratamentos desnecessários.
- E)Há alto grau de empatia das equipes que tratam pacientes com transtorno factício, de forma que eles são rapidamente referenciados para tratamento, sem que as equipes se sintam ludibriadas.
Errada: o transtorno factício costuma gerar frustração, desconfiança e sensação de ludíbrio nas equipes, e não empatia tranquila com encaminhamento rápido.
Gabarito: B
Transtorno factício e simulação costumam cair juntos porque ambos envolvem produção ou exagero de sintomas, mas a lógica por trás é diferente. No transtorno factício, a pessoa falsifica ou provoca sinais e sintomas, mas o objetivo principal é assumir o papel de doente, sem buscar um ganho externo claro. Na simulação, ao contrário, existe um ganho externo concreto, como dinheiro, afastamento do trabalho, aposentadoria, fuga de punição ou outra vantagem prática. É exatamente isso que faz a letra B estar correta: a presença de um ganho externo é o principal elemento que aponta para simulação e ajuda a diferenciá-la do transtorno factício. Essa distinção aparece de forma clássica nos manuais diagnósticos, como o DSM-5-TR e a CID, embora na prática clínica nem sempre seja fácil separar os dois só olhando de longe. O detalhe importante é não confundir motivação interna com vantagem externa. O paciente pode parecer muito convincente em ambos os casos, mas o motivo muda tudo. Outro ponto que a banca adora explorar é a ideia de que toda ideação suicida afasta simulação. Não afasta. Alguém pode simular ou exagerar sintomas psiquiátricos e ainda assim relatar ideação suicida. Então, em perícia, você precisa olhar o conjunto: consistência do relato, comportamento observável, exames, histórico e possível benefício secundário. Na prática, o transtorno factício também costuma gerar iatrogenia, internações repetidas, exames desnecessários e desgaste da equipe. Ou seja, é o tipo de quadro que faz o serviço correr atrás de um fantasma clínico, enquanto a intenção do paciente é permanecer no papel de doente. Já na simulação, a pergunta central é: qual vantagem concreta essa pessoa quer obter?