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Psiquiatria · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Psiquiatria

Em relação a transtorno factício e simulação, assinale a opção correta.

Gabarito: B

Transtorno factício e simulação costumam cair juntos porque ambos envolvem produção ou exagero de sintomas, mas a lógica por trás é diferente. No transtorno factício, a pessoa falsifica ou provoca sinais e sintomas, mas o objetivo principal é assumir o papel de doente, sem buscar um ganho externo claro. Na simulação, ao contrário, existe um ganho externo concreto, como dinheiro, afastamento do trabalho, aposentadoria, fuga de punição ou outra vantagem prática. É exatamente isso que faz a letra B estar correta: a presença de um ganho externo é o principal elemento que aponta para simulação e ajuda a diferenciá-la do transtorno factício. Essa distinção aparece de forma clássica nos manuais diagnósticos, como o DSM-5-TR e a CID, embora na prática clínica nem sempre seja fácil separar os dois só olhando de longe. O detalhe importante é não confundir motivação interna com vantagem externa. O paciente pode parecer muito convincente em ambos os casos, mas o motivo muda tudo. Outro ponto que a banca adora explorar é a ideia de que toda ideação suicida afasta simulação. Não afasta. Alguém pode simular ou exagerar sintomas psiquiátricos e ainda assim relatar ideação suicida. Então, em perícia, você precisa olhar o conjunto: consistência do relato, comportamento observável, exames, histórico e possível benefício secundário. Na prática, o transtorno factício também costuma gerar iatrogenia, internações repetidas, exames desnecessários e desgaste da equipe. Ou seja, é o tipo de quadro que faz o serviço correr atrás de um fantasma clínico, enquanto a intenção do paciente é permanecer no papel de doente. Já na simulação, a pergunta central é: qual vantagem concreta essa pessoa quer obter?

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