Paciente do sexo masculino, com vinte e quatro anos de idade, relatou ao médico de plantão que o atendeu em hospital público, que estava em uma festa quando o local fora atacado por terroristas que provocaram várias mortes. Referiu que fora socorrido, mas que, nas semanas seguintes, passara a apresentar insônia e pesadelos, nos quais revivia a experiência do evento, e deixara de se relacionar com as pessoas que encontrara no dia do ocorrido, porque sentia ansiedade intensa quando imaginava encontrá-las. Solicitou, por fim, uma licença por se sentir incapaz de exercer suas atividades laborativas. No caso clínico acima descrito, o diagnóstico mais provável para o paciente em questão é de transtorno
- A)do estresse pós-traumático.
Correta, porque há exposição a trauma grave seguida de pesadelos, revivescência, esquiva e prejuízo funcional, quadro típico de transtorno de estresse pós-traumático.
- B)dissociativo.
Errada, porque transtorno dissociativo exigiria fenômenos como amnésia, despersonalização ou desrealização, que não são o foco do caso.
- C)de personalidade evitativa.
Errada, porque personalidade evitativa é um padrão crônico e estável desde cedo, não uma reação posterior a um evento traumático específico.
- D)depressivo.
Errada, porque não há descrição de humor deprimido persistente, anedonia ou outros sinais centrais de episódio depressivo.
- E)de ansiedade generalizada.
Errada, porque no transtorno de ansiedade generalizada a preocupação é difusa e excessiva, sem depender de um trauma específico com revivescência.
Gabarito: A
O caso descreve um quadro clássico de transtorno de estresse pós-traumático. O ponto de partida é um evento traumático grave, com ameaça real de morte e morte de terceiros, seguido por sintomas que aparecem nas semanas seguintes, como insônia, pesadelos de revivescência e esquiva de estímulos ligados ao trauma. Isso é praticamente o retrato de prova que a banca adora cobrar. No TEPT, você costuma ver três blocos de sintomas: reexperiência do trauma, esquiva e hipervigilância/alterações de sono e irritabilidade. Aqui, o paciente revive o evento nos pesadelos, evita as pessoas associadas ao dia do atentado e fica ansioso só de imaginar encontrá-las. Além disso, pede licença do trabalho por incapacidade funcional, o que reforça o impacto clínico do quadro. As outras alternativas tentam distrair com diagnósticos que até podem ter ansiedade, mas não explicam tão bem a presença de trauma identificável e reexperimentação. Em psiquiatria de concurso, quando há trauma grave + revivescência + esquiva + prejuízo funcional, a tendência é pensar em TEPT antes de qualquer outra hipótese. A lógica doutrinária segue os critérios diagnósticos usuais da psiquiatria clínica: exposição a evento traumático, sintomas intrusivos, evitação persistente e prejuízo importante. Não há aqui sinal dominante de humor deprimido, padrão de personalidade antigo ou medo difuso sem foco. O centro da história é o trauma, e ele manda no diagnóstico.