No que se refere ao transtorno de somatização, assinale a opção correta.
- A)Paralisias, cegueira e mutismo são os sintomas mais comuns do transtorno em questão.
Errada, porque paralisias, cegueira e mutismo são mais ligados a sintomas neurológicos funcionais/conversivos, não sendo os sintomas mais comuns do transtorno de somatização.
- B)Homens e mulheres são igualmente afetados pelo referido transtorno.
Errada, porque o transtorno de somatização é mais frequente em mulheres do que em homens.
- C)O referido transtorno é polissintomático e se inicia antes dos trinta anos de idade.
Certa, porque o transtorno é tipicamente polissintomático e costuma começar antes dos 30 anos.
- D)Os transtornos de somatização têm sempre uma causa orgânica clara.
Errada, porque justamente no transtorno de somatização os sintomas não têm causa orgânica clara suficiente para explicar o quadro.
- E)No transtorno somatoforme, o paciente muitas vezes tem uma preocupação em ter uma doença grave, com base na interpretação equivocada de sinais corporais fisiológicos.
Errada, porque essa descrição corresponde mais ao transtorno de ansiedade de doença (ou hipocondria, na nomenclatura antiga), e não ao transtorno de somatização.
Gabarito: C
O transtorno de somatização, na classificação clássica, é um quadro em que a pessoa apresenta vários sintomas físicos sem explicação orgânica suficiente, e esses sintomas costumam aparecer cedo, de forma persistente e em mais de um sistema do corpo. O ponto central é que não se trata de “fingimento” nem de doença inventada: o sofrimento é real, mas a investigação médica não encontra um achado proporcional à intensidade das queixas. A banca gosta de cobrar a ideia de quadro polissintomático, com início precoce e curso crônico. Por isso, quando a questão fala que o transtorno é polissintomático e se inicia antes dos 30 anos, ela está seguindo a descrição clássica do transtorno de somatização, como aparece nos manuais psiquiátricos tradicionais, especialmente na linha do DSM-IV e na doutrina psiquiátrica clássica. Também vale lembrar que há mais casos em mulheres do que em homens, e que os sintomas não se resumem a uma única queixa. Em geral, o paciente passa por muitas consultas, exames repetidos e pouca explicação orgânica convincente. É aquela história de “o corpo fala”, mas a medicina não acha uma lesão que justifique tudo aquilo. Então, o gabarito ser a alternativa C faz sentido porque ela traz duas marcas típicas do transtorno: pluralidade de sintomas e início antes dos 30 anos. As demais opções tentam confundir com sintomas específicos, causas orgânicas ou com outro transtorno somatoforme, como a preocupação com doença grave.