Em relação ao Transtorno delirante persiste, tendo como base o DSM V, podemos afirmar:
- A)A característica essencial do transtorno delirante é a presença de um ou mais delírios que persistem por pelo menos duas semanas (Critério A).
Errada, porque no DSM-5 o delírio deve persistir por pelo menos 1 mês, e não 2 semanas.
- B)O diagnóstico de transtorno delirante pode ser feito mesmo se o indivíduo alguma vez teve apresentação de sintomas que satisfaçam o Critério A para esquizofrenia (Critério B).
Errada, porque o transtorno delirante não é diagnosticado se em algum momento o quadro tiver preenchido o critério A para esquizofrenia.
- C)Independentemente do impacto direto dos delírios, prejuízos no funcionamento psicossocial podem estar mais circunscritos que os encontrados em outros transtornos psicóticos como a esquizofrenia, e o comportamento não é claramente bizarro ou esquisito (Critério C).
Certa, pois no transtorno delirante o prejuízo funcional costuma ser mais circunscrito e o comportamento não é claramente bizarro ou esquisito.
- D)Se ocorrerem episódios de humor concomitantemente com os delírios, sua duração total é igual em relação à duração total dos períodos delirantes (Critério D)
Errada, porque episódios de humor, quando presentes, devem ser mais breves que os períodos delirantes, e não ter a mesma duração total.
- E)Todas estão incorretas.
Errada, porque há alternativa correta entre as opções.
Gabarito: C
O transtorno delirante, no DSM-5, é marcado pela presença de um ou mais delírios por pelo menos 1 mês. Em geral, a pessoa pode até funcionar relativamente bem fora do tema do delírio, o que ajuda a diferenciar esse quadro da esquizofrenia, que costuma trazer prejuízo mais amplo e sintomas mais desorganizados. Aqui mora a pegadinha clássica: o conteúdo delirante pode ser bem convincente e fixo, mas o comportamento global não costuma ser claramente bizarro ou esquisito. A vida do paciente pode ficar “girando em torno” do delírio, mas sem aquele desarranjo típico de outros transtornos psicóticos mais graves. Por isso, a alternativa C está correta: ela descreve justamente a ideia de prejuízo mais circunscrito e ausência de comportamento francamente bizarro, que são traços compatíveis com o transtorno delirante. Esse raciocínio é o que o DSM-5 usa para separar esse diagnóstico da esquizofrenia. As demais erram detalhes de tempo e de critérios diagnósticos. No DSM-5, o delírio precisa durar 1 mês, não 2 semanas, e o transtorno delirante não pode ser diagnosticado se o quadro já preencheu critério A para esquizofrenia. Além disso, episódios de humor, quando existem, costumam ser mais curtos do que o período total dos delírios, e não iguais a ele.