Sandra Silva deu entrada na emergência com febre alta, diarreia e vômitos volumosos. Após internação, seu quadro clínico piorou, evoluindo com septicemia. Diante dos fatos, a equipe de saúde responsável pelo plantão suspeitou que a paciente poderia ter ingerido água e/ou alimentos contaminados com material fecal humano. Como resultado de extensa avaliação, foi comprovada contaminação por agente etiológico pertencente à família Enterobacteriaceae, com as seguintes características: bacilo Gram negativo, não produtor de esporos, anaeróbio facultativo, não sendo capaz de produzir gás a partir de glicose. Portanto, o diagnóstico dado à Sandra Silva foi febre tifoide. Diante do caso clínico descrito, o agente etiológico causador da doença é
- A)Salmonella typhi.
Correta, porque Salmonella typhi é o agente clássico da febre tifoide e corresponde ao quadro clínico e microbiológico descrito.
- B)Salmonella paratyphi.
Errada, porque Salmonella paratyphi causa febre paratifoide, não a febre tifoide clássica.
- C)Shigella typhi.
Errada, porque Shigella não é o agente da febre tifoide e está associada sobretudo a disenteria bacilar.
- D)Shigella dysenteriae.
Errada, porque Shigella dysenteriae causa shigelose grave, com colite e disenteria, e não febre tifoide.
- E)Escherichia coli enteropatogênica clássica.
Errada, porque Escherichia coli enteropatogênica clássica causa diarreia, especialmente infantil, e não o quadro sistêmico típico da febre tifoide.
Gabarito: A
A febre tifoide é uma infecção sistêmica causada por uma bactéria do gênero Salmonella, adquirida quase sempre por via fecal-oral, isto é, pela ingestão de água ou alimentos contaminados. O quadro clássico pode começar com febre, sintomas gastrointestinais e, se houver evolução desfavorável, até septicemia. Em prova, a banca costuma dar as pistas microbiológicas e clínicas para você fechar o agente sem hesitar. O ponto-chave aqui é que o enunciado descreve um bacilo Gram negativo, da família Enterobacteriaceae, não formador de esporos, anaeróbio facultativo e sem produção de gás a partir da glicose. Esse perfil é compatível com Salmonella typhi, agente etiológico da febre tifoide, e não com outros enteropatógenos mais lembrados em diarreia. A Salmonella typhi tem tropismo intestinal, pode invadir a corrente sanguínea e explicar a septicemia. Na prática de prova, vale lembrar que Shigella costuma causar disenteria com menos invasão sistêmica e, em geral, não produz gás, mas não é a responsável pela febre tifoide. Já Escherichia coli enteropatogênica clássica se relaciona mais com diarreia infantil e não com o quadro sistêmico descrito. Ou seja, o nome da doença já era a pista mais generosa da questão. Resumo para marcar sem drama: febre tifoide aponta para Salmonella typhi, um agente fecal-oral, Gram negativo, de Enterobacteriaceae, capaz de causar doença intestinal e sistêmica. Se o enunciado traz esse conjunto de pistas, você já pode ir com segurança na letra A.