Em relação ao citopatológico do colo do útero e o programa de rastreamento, assinale a alternativa correta.
- A)O diagnóstico de adenocarcinoma cervical in situ mostrou uma maior taxa de falso-negativos
Correta, porque o adenocarcinoma cervical in situ tem maior dificuldade de detecção na citologia e, por isso, maior taxa de falso-negativos.
- B)Falhas no rastreamento do colo do útero em países em desenvolvimento são atribuíveis a limitações tecnológicas do teste de triagem
Errada, porque as falhas em países em desenvolvimento se devem principalmente a problemas organizacionais e de cobertura do programa, não apenas a limitações tecnológicas do teste.
- C)A maioria dos falso-positivos surge de problemas com a coleta de material
Errada, porque a maioria dos falso-positivos não decorre de coleta de material, mas de interpretação citológica, artefatos e critérios diagnósticos.
- D)A detecção das lesões é suficiente para determinar o impacto na história natural da doença
Errada, porque detectar lesões não basta para medir o impacto na história natural da doença; é preciso avaliar desfechos como incidência, mortalidade e progressão.
- E)Laboratórios de citopatologia devem incluir revisão de 40% dos casos avaliados pelo citotécnico
Errada, porque essa taxa de revisão não é a regra geral cobrada para laboratórios de citopatologia, e o enunciado traz um percentual incompatível com os protocolos usuais de controle de الجودة.
Gabarito: A
O citopatológico do colo do útero, o famoso Papanicolau, é uma ferramenta de rastreamento, não um exame perfeito de “caça ao culpado”. Ele ajuda a detectar lesões precursoras e reduzir a incidência e a mortalidade por câncer do colo do útero, mas depende de coleta adequada, boa leitura do material e, principalmente, de que o sistema de rastreamento funcione bem com cobertura, convite e seguimento das mulheres. Em países em desenvolvimento, as falhas do rastreamento costumam estar mais ligadas a problemas do programa do que a uma limitação “mística” do teste em si: pouca cobertura, acesso difícil, demora para repetir exames, falta de retorno da paciente e organização deficiente da rede. Ou seja, muitas vezes o problema é a estrada, não só o carro. A alternativa A está correta porque o adenocarcinoma cervical in situ é uma lesão conhecida por ser mais difícil de detectar no citopatológico, com maior chance de falso-negativo. Isso ocorre porque as alterações podem estar mais no canal endocervical, com células menos evidentes na lâmina e menor sensibilidade do exame para esse tipo de lesão. Em doutrina de rastreamento, isso é um ponto clássico: a citologia é ótima, mas não enxerga tudo com a mesma facilidade. As demais opções trazem afirmações absolutas ou incorretas sobre qualidade do rastreamento e controle de laboratório. Em provas da IBFC, vale desconfiar de termos como “a maioria”, “suficiente” e percentuais rígidos quando a ideia é avaliação de programa e não regra universal.