Com relação às afecções cirúrgicas do esôfago, é correto afirmar que
- A)o divertículo de pulsão representa a evaginação da mucosa através de defeito ou laceração na musculatura suprajacente, sendo essa formação denominada de “falso” divertículo porque nem todas as camadas do esôfago estão representadas na saculação protuberante.
Correta: descreve o divertículo de pulsão como herniação da mucosa por defeito da musculatura, caracterizando um falso divertículo.
- B)a ingestão acidental de corpos estranhos pelo paciente é a principal causa de obstrução esofágica intramural, podendo ser classificada em parcial ou total, sendo comum nestes casos a ocorrência de salivação, seguida de regurgitação e disfagia, estando indicado a remoção do corpo estranho por endoscopia ou cirurgia.
Errada: corpos estranhos podem obstruir o esôfago, mas a redação confunde a classificação e não define corretamente obstrução intramural.
- C)a estenose luminal e a obstrução funcional do esôfago podem ser decorrentes de grave cicatrização intraluminal adquirida como resultado de qualquer agressão à parede do órgão que produza lesão nas camadas muscular e serosa, estando indicado como possíveis tratamentos para estes casos a dilatação mecânica por meio de sondas ou balões, ficando a miotomia longitudinal reservada para casos não responsivos ao manejo conservador.
Errada: mistura estenose, obstrução funcional e miotomia de forma inadequada, além de atribuir mecanismos e tratamentos que não batem entre si.
- D)o megaesôfago é uma sequela frequente em casos de obstruções parciais crônicas do esôfago, levando a uma dilatação de variados graus da porção caudal à obstrução, causando ainda lesões nas terminações nervosas e na camada muscular do órgão, acarretando quadros de disfagia e regurgitação, estando indicado a implementação de mudanças no manejo alimentar do paciente.
Errada: megaesôfago não é descrito corretamente como sequela frequente de obstrução parcial crônica, e a fisiopatologia apresentada está imprecisa.
Gabarito: A
Nas afecções cirúrgicas do esôfago, o ponto central costuma ser entender se o problema é de passagem mecânica ou de motilidade. Quando há uma fraqueza ou defeito na parede, a mucosa pode “empurrar” para fora, formando um divertículo. Se essa saída ocorre apenas com mucosa e submucosa, sem todas as camadas da parede esofágica, trata-se de um divertículo falso, também chamado de divertículo de pulsão. É exatamente isso que a alternativa A descreve: a mucosa se evagina através de uma falha na musculatura suprajacente. Como nem todas as camadas do esôfago participam da saculação, o termo “falso” está correto. É a típica lesão por aumento de pressão no lúmen, mais relacionada ao mecanismo de pulsão do que a uma “bolsa” verdadeira da parede inteira. As outras alternativas misturam conceitos de forma traiçoeira. Corpos estranhos podem causar obstrução esofágica, mas isso não define obstrução intramural como a banca sugeriu. Já estenose e megaesôfago têm mecanismos e tratamentos específicos, e não devem ser confundidos com cicatrização intraluminal ou com dilatação secundária a qualquer obstrução parcial de forma automática. Em resumo: se a questão falar em divertículo de pulsão com herniação da mucosa por defeito muscular e ausência de todas as camadas na parede saculada, pense em divertículo falso. É a clássica pegadinha de prova: trocar um conceito anatômico bem definido por uma descrição quase certa, mas com detalhes embolados.