No modelo IS-LM, as políticas fiscal e monetária têm diferentes impactos dependendo das condições da economia. Sobre os casos-limite do modelo – caso clássico ou armadilha da liquidez – é correto afirmar que
- A)no caso clássico, a curva LM é horizontal, indicando que a política monetária é altamente eficaz, enquanto a política fiscal é completamente ineficaz para alterar o nível de produto.
Errada, porque descreve a armadilha da liquidez, não o caso clássico: LM horizontal tende a tornar a política monetária mais eficaz e a fiscal menos problemática, não o contrário.
- B)na armadilha da liquidez, a curva LM é vertical, refletindo uma taxa de juros inelástica em relação à oferta de moeda, tornando a política monetária totalmente ineficaz e a política fiscal mais eficaz.
Errada, porque LM vertical não é armadilha da liquidez; na armadilha, a LM é horizontal, e a política monetária perde eficácia.
- C)no caso clássico, as taxas de juros são fixas, e a política fiscal é mais eficaz do que a política monetária para estimular o crescimento econômico.
Errada, porque no caso clássico não se diz que as taxas de juros são fixas, e a política fiscal não é a mais eficaz; em geral, o efeito sobre o produto é limitado pelo pleno emprego.
- D)na armadilha da liquidez, o aumento da oferta de moeda eleva o produto apenas indiretamente, via redução do déficit público, enquanto a política fiscal não altera a demanda agregada.
Errada, porque na armadilha da liquidez a política monetária pode ficar ineficaz, mas a política fiscal não deixa de afetar a demanda agregada desse jeito descrito.
- E)no caso clássico, a política fiscal é ineficaz porque a economia já opera em pleno emprego, e aumentos nos gastos públicos levam apenas ao deslocamento total do investimento privado.
Certa, porque no caso clássico a economia já opera em pleno emprego e a expansão fiscal não aumenta o produto real, apenas eleva juros e desloca o investimento privado.
Gabarito: E
No modelo IS-LM, o efeito da política econômica depende do formato das curvas. Quando a economia está no caso clássico, a ideia central é que o produto já está no nível de pleno emprego. Ou seja: não adianta tentar empurrar o PIB real para cima com mais gasto público, porque a economia não tem “folga” produtiva para crescer além disso. Nesse cenário, uma expansão fiscal tende a elevar a taxa de juros e deslocar o investimento privado para baixo. É o famoso efeito crowding out: o governo ocupa espaço no mercado de fundos emprestáveis, e o setor privado perde fôlego. Resultado prático: o gasto público aumenta, mas o produto real não reage de forma relevante. Por isso a alternativa E está correta. Ela traduz exatamente essa lógica do caso clássico: a política fiscal fica ineficaz para aumentar o nível de produção, não porque o governo “não tente”, mas porque a economia já opera no limite do emprego dos recursos. Em linguagem de prova, isso bate com a visão clássica de longo prazo, em que o produto é determinado pela oferta e não pela demanda agregada. Um cuidado importante: muitos enunciados misturam caso clássico com armadilha da liquidez. Aqui, porém, o gabarito explora a versão clássica ligada ao pleno emprego e à ineficácia da política fiscal, com deslocamento do investimento privado. É aquela pegadinha bonita de banca: parece conversa de IS-LM, mas a chave está na ideia de limite real da economia.