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Macroeconomia · FGV · 2025

Questão comentada de Macroeconomia

Considere que um país enfrenta uma recessão severa, resultando em uma queda significativa no PIB e um aumento no desemprego. Ato contínuo, o déficit nominal subiu de 2% para 6% do PIB em um ano. No entanto, o déficit ciclicamente ajustado permaneceu estável em torno de 3% do PIB. Com base nessas informações, é correto afirmar que:

Gabarito: C

Quando você analisa o resultado fiscal, é importante separar o que é efeito da economia do que é decisão do governo. O déficit nominal inclui tudo: a piora da arrecadação na recessão, o aumento de gastos com seguro-desemprego, juros da dívida e eventuais medidas discricionárias. Já o déficit ciclicamente ajustado tenta “tirar a sujeira do ciclo”, ou seja, medir o saldo fiscal como se a economia estivesse perto do nível normal de atividade. Na recessão, é comum o déficit nominal subir sem que o governo tenha mudado sua política fiscal estrutural. Isso acontece porque os estabilizadores automáticos entram em cena: a receita cai, alguns gastos sobem e o saldo piora quase sozinho. Se o déficit ciclicamente ajustado fica estável em torno de 3% do PIB, isso indica que a posição fiscal subjacente não se alterou de forma relevante. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela descreve exatamente um aumento do déficit nominal causado pela queda da atividade e pelo funcionamento dos estabilizadores automáticos, sem mudança significativa na política fiscal subjacente. Em linguagem de prova: piorou o ciclo, não necessariamente piorou a política fiscal estrutural. Esse raciocínio é clássico em macroeconomia e finanças públicas: déficit nominal é sensível ao ciclo econômico, enquanto o déficit ajustado ao ciclo procura captar a postura fiscal estrutural. A FGV costuma cobrar essa diferença com cenários de recessão, desemprego e arrecadação em queda, então vale lembrar que nem todo aumento do déficit nominal significa expansionismo do governo.

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