Considere um país onde o governo decide aumentar significativamente os gastos em infraestrutura e educação, enquanto mantém um nível de tributação progressiva e uma política monetária expansionista. Dado esse cenário, em relação às funções do governo e seus impactos econômicos, é correto afirmar que:
- A)o aumento dos gastos públicos em setores estratégicos implica crescimento sustentado sem necessidade de ajustes na política monetária ou fiscal no futuro;
Errada, porque aumento de gasto público não garante crescimento sustentado indefinidamente nem dispensa ajustes futuros na política fiscal ou monetária.
- B)a tributação progressiva prejudica a eficiência e a equidade econômica, pois reduz a oferta de trabalho e desincentiva investimentos produtivos no setor privado;
Errada, porque a tributação progressiva é associada à função distributiva do Estado e não pode ser tratada, em bloco, como inimiga da equidade.
- C)a alocação de recursos pelo governo, exercendo sua função alocativa, é menos eficiente do que a do setor privado, pois há ausência de incentivos para otimizar investimentos e minimizar desperdícios;
Errada, porque o setor privado não é automaticamente mais eficiente em tudo e a função alocativa existe justamente para corrigir falhas de mercado e investir onde o mercado não entrega bem.
- D)o aumento dos gastos melhora a alocação de recursos, enquanto a tributação progressiva reduz ineficiências e promove equidade, mas a política monetária expansionista pode, por outro lado, gerar riscos inflacionários no médio prazo;
Certa, porque reconhece a função alocativa do gasto público, a finalidade distributiva da tributação progressiva e o possível risco inflacionário de uma política monetária expansionista.
- E)a política monetária expansionista neutraliza os impactos da tributação progressiva sobre a renda pessoal disponível, garantindo que o potencial crescimento econômico seja impulsionado sem distorções alocativas significativas.
Errada, porque a política monetária não neutraliza automaticamente os efeitos distributivos dos tributos nem elimina distorções alocativas relevantes.
Gabarito: D
Aqui a banca está cobrando o papel do governo na economia: ele não serve só para arrecadar imposto, mas também para alocar recursos em áreas em que o setor privado costuma investir menos, como infraestrutura e educação. Isso é a chamada função alocativa do Estado. Quando o governo aumenta esses gastos, ele pode melhorar a produtividade da economia no médio e longo prazo, porque estrada boa, escola melhor e capital humano mais forte fazem diferença de verdade. Ao mesmo tempo, a tributação progressiva tem uma lógica distributiva: quem tem maior renda paga proporcionalmente mais, o que ajuda a reduzir desigualdades e a aumentar a equidade. Não é correto dizer que isso, por si só, “destrói” a eficiência econômica. Em finanças públicas, o ponto central é o equilíbrio entre eficiência e justiça distributiva, e a progressividade é um instrumento clássico dessa segunda função. Já a política monetária expansionista, quando o Banco Central aumenta a liquidez ou reduz juros, tende a estimular consumo e investimento no curto prazo. O problema é que, se isso for feito de forma persistente e em um contexto de demanda aquecida, pode aparecer pressão inflacionária no médio prazo. Por isso, ela não é uma varinha mágica: ajuda a crescer, mas também pode cobrar a conta depois. Por isso o gabarito é a letra D. Ela combina bem três ideias corretas: gasto público pode melhorar a alocação de recursos, tributação progressiva favorece equidade e a expansão monetária pode gerar risco inflacionário no futuro. É exatamente o tipo de resposta que a FGV gosta: equilibrada, técnica e sem prometer milagre econômico.