A concepção estruturalista da inflação nasceu na Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), organismo da ONU sediado no Chile. Uma característica dessa visão é que
- A)parte de um diagnóstico de inflação de demanda, com políticas fiscais restritivas como forma de combatê-la.
Errada, porque descreve inflação de demanda e remédio fiscal restritivo, que não é a base da concepção estruturalista da Cepal.
- B)parte de um diagnóstico de inflação de custos, com políticas monetárias ou de renda restritivas como forma de combatê-la.
Errada, porque mistura inflação de custos com solução monetária ou de renda, enquanto o estruturalismo foca nos gargalos da oferta e da estrutura produtiva.
- C)a inflação é causada por um problema estrutural, de reduzida capacidade ociosa, incorrendo em restrições de ampliação da oferta de todos os setores econômicos.
Errada, porque fala em reduzida capacidade ociosa de forma genérica, mas a ideia estruturalista é mais específica: há estrangulamentos setoriais e desequilíbrios estruturais, não apenas pouco ocioso.
- D)a inflação é de oferta, decorrente de problemas associados ao processo de industrialização latino-americano, que gerou pontos de estrangulamento.
Certa, porque a inflação estruturalista é vista como de oferta, ligada aos gargalos do processo de industrialização latino-americano.
- E)a inflação decorre de mecanismos de indexação, levando a inflação inercial, cujo combate se dá através de aumento da taxa de juros e contenção dos gastos públicos.
Errada, porque descreve inflação inercial e indexação, tema associado a outra corrente e a outros planos de estabilização, não ao estruturalismo cepalino.
Gabarito: D
A visão estruturalista da inflação surgiu no ambiente da Cepal e olha para a economia latino-americana com aquele óculos de quem percebe gargalos, estrangulamentos e desequilíbrios setoriais. Em vez de tratar a inflação como um simples excesso de demanda, essa corrente diz que o problema está na estrutura produtiva: alguns setores não conseguem expandir a oferta no mesmo ritmo da demanda, especialmente em economias em industrialização e com forte dependência externa. Na prática, a inflação aparece como um fenômeno de oferta, ligado a pontos de estrangulamento, como falta de infraestrutura, baixa produtividade agrícola, restrições externas e capacidade produtiva desajustada. A industrialização acelerada pode até ajudar o crescimento, mas também cria tensões quando certos insumos, alimentos ou divisas ficam curtos. Aí os preços sobem e a economia começa a “esbarrar” nos seus próprios limites. É por isso que o gabarito é a letra D. Ela traduz bem a ideia cepalina: inflação de oferta associada a problemas do processo de industrialização latino-americano, que gera gargalos e restrições em setores-chave. Não é a lógica monetarista de conter a demanda com juros, nem a inflação inercial por indexação, que veio depois ganhar destaque no Brasil. Se quiser guardar em uma frase: para o estruturalismo, o preço sobe porque a estrutura produtiva não acompanha a expansão da economia, e não porque a demanda simplesmente ficou “gulosa”.