Considere o modelo IS-LM. Quando o público está disposto a reter qualquer quantidade de moeda que o Banco Central coloque em circulação à taxa de juros vigente, denomina-se esse caso como
- A)clássico.
Errada: o caso clássico, em IS-LM, está ligado a uma LM vertical, não à retenção ilimitada de moeda pelo público.
- B)crowding-out.
Errada: crowding-out é o efeito de a política fiscal reduzir o investimento privado ao elevar juros, não de absorção de moeda.
- C)política fiscal totalmente ineficaz.
Errada: a política fiscal totalmente ineficaz é uma conclusão associada à armadilha da liquidez, mas o enunciado descreve o fenômeno monetário, não a política fiscal.
- D)armadilha da liquidez.
Certa: quando o público quer reter qualquer quantidade de moeda ao juro vigente, ocorre a armadilha da liquidez.
- E)política monetária totalmente eficaz.
Errada: política monetária totalmente eficaz é o oposto da situação descrita, porque aqui a expansão da moeda não mexe de modo relevante nos juros.
Gabarito: D
No modelo IS-LM, a ideia central é simples: a curva LM mostra o equilíbrio no mercado de moeda, ligando renda, juros e quantidade de dinheiro em circulação. Quando a taxa de juros cai muito, a moeda passa a ser vista como extremamente atrativa para ser retida, como se fosse um “porto seguro” sem custo de oportunidade relevante. Nesse cenário, o público aceita reter qualquer quantidade de moeda que o Banco Central injete. Em vez de esse aumento de oferta derrubar ainda mais os juros, ele fica “preso” nas carteiras e contas dos agentes. Resultado: a política monetária perde força, porque colocar mais moeda em circulação não altera a taxa de juros de forma relevante. Esse caso é a chamada armadilha da liquidez. É o desenho clássico de Keynes: juros muito baixos, preferência por liquidez muito alta e LM praticamente horizontal. Em concurso, se aparecer a ideia de que a moeda adicional é toda absorvida pelo público à taxa de juros vigente, pense imediatamente nisso. Por isso, o gabarito é a letra D. A descrição do enunciado é exatamente a da armadilha da liquidez, em que a expansão monetária vira quase um “empurra-empurra” sem efeito prático sobre os juros.