De acordo com as implicações da validade da curva de oferta agregada de Lucas:
- A)não é possível no curto prazo ocorrer expansão da produção efetiva acompanhada de um maior nível de inflação;
Errada, porque na visão de Lucas pode sim haver, no curto prazo, expansão da produção com maior inflação quando há surpresa de preços.
- B)se o nível de preços corrente é maior do que o nível de preços esperado, então o produto efetivo excede o produto potencial;
Certa, pois se o nível de preços corrente supera o esperado, as firmas interpretam isso como aumento do preço relativo e elevam a produção acima do potencial.
- C)as firmas, ao se depararem com um aumento nos preços de seus produtos, consideraram também que houve o aumento de todos os seus preços relativos;
Errada, porque o aumento do preço do produto não leva as firmas a concluir que todos os preços relativos subiram; elas podem inicialmente confundir aumento geral de preços com aumento relativo.
- D)como os preços são rígidos, se as expectativas das firmas em relação ao nível de preços forem elevadas, não haverá tradeoff de curto prazo entre nível de preços e produção efetiva;
Errada, porque o raciocínio de Lucas não se baseia em rigidez de preços, e sim em expectativas não antecipadas; com expectativas elevadas e plenamente ajustadas, o problema é justamente menor efeito real, não a ausência de trade-off por rigidez.
- E)como há concorrência imperfeita nos mercados, se as expectativas das firmas em relação ao nível de preços forem elevadas, não haverá trade-off de curto prazo entre nível de preços e produção efetiva.
Errada, porque concorrência imperfeita não elimina o trade-off de curto prazo na lógica de Lucas; o ponto decisivo é a surpresa inflacionária, não a estrutura de mercado.
Gabarito: B
A curva de oferta agregada de Lucas diz, em essência, que a produção de curto prazo pode reagir a surpresas no nível de preços. Se o preço que as firmas observam hoje vier acima do preço que elas esperavam, elas tendem a achar que o preço relativo do seu produto subiu, então aumentam a oferta e o produto efetivo fica acima do produto potencial. É o famoso efeito surpresa: preço inesperado mexe com quantidade produzida. Isso ajuda a ligar a teoria da oferta agregada à Curva de Phillips de curto prazo: pode existir um trade-off temporário entre inflação e desemprego. Quando a inflação vem mais alta do que o esperado, o desemprego pode cair e a produção subir no curto prazo. No longo prazo, quando as expectativas se ajustam, esse efeito desaparece. Por isso, a alternativa B está correta: se o nível de preços corrente é maior do que o nível de preços esperado, o produto efetivo excede o produto potencial. Essa é exatamente a lógica das expectativas não antecipadas na visão de Lucas. Já as demais alternativas erram ao negar esse ajuste de curto prazo ou ao confundir preços relativos com inflação esperada. Em concursos, vale lembrar: na curva de Lucas, o ponto central não é rigidez de preços, e sim erro de percepção das firmas sobre o nível geral de preços. Preço surpresa gera resposta real da produção; preço plenamente antecipado, não.