De acordo com as relações entre inflação, juros e o resultado fiscal, e as consequências econômicas da dívida pública, é correto afirmar que:
- A)para todas as teorias que explicam os fenômenos inflacionários, as hiperinflações são fenômenos monetários independentes do nível do déficit fiscal do governo;
Errada, porque em muitas teorias de inflação, especialmente na tradição fiscalista, a hiperinflação pode sim estar associada a forte desequilíbrio fiscal.
- B)a razão dívida pública/PIB em termos reais é inversamente proporcional à razão entre a dívida pública e as exportações líquidas do período anterior;
Errada, porque a relação apresentada entre dívida pública/PIB e dívida/exportações líquidas não faz sentido econômico nessa forma e está conceitualmente invertida.
- C)de acordo com a análise convencional da dívida pública, no longo prazo, devido ao efeito crowding-out o crescimento da dívida pública conduz a um menor crescimento econômico;
Certa, porque a visão convencional da dívida pública aponta que o aumento da dívida pode gerar crowding-out e reduzir o crescimento econômico no longo prazo.
- D)o aumento do déficit público provoca uma redução no diferencial entre juros internos e externos que, sob câmbio flexível, provoca a fuga de capitais e o superávit em conta corrente;
Errada, porque o efeito de um aumento do déficit não é esse nem a combinação com câmbio flexível e fuga de capitais leva automaticamente a superávit em conta corrente.
- E)o princípio da equivalência Ricardiana estabelece que um aumento do déficit primário do governo central provoca uma elevação do nível de atividade econômica medido pelo PIB nominal.
Errada, porque a equivalência ricardiana não afirma que mais déficit primário eleva o PIB nominal; ela sugere neutralidade da forma de financiamento sobre o consumo.
Gabarito: C
A ideia central aqui é ligar déficit, dívida pública, juros e crescimento. Quando o governo aumenta o endividamento para financiar gastos, isso pode pressionar os juros, deslocar a poupança disponível e reduzir o investimento privado. No raciocínio convencional, esse efeito de crowding-out tende a frear a acumulação de capital e, no longo prazo, o crescimento econômico. Em outras palavras: mais dívida hoje pode significar menos espaço para investimento produtivo amanhã. Também vale lembrar que inflação, juros e resultado fiscal costumam andar juntos na análise macro. Se o mercado percebe piora fiscal, pode exigir juros maiores para financiar a dívida, o que encarece ainda mais o serviço da dívida e piora o ajuste fiscal. É o famoso ciclo chato da política econômica: a conta não some, só muda de lugar. Por isso a alternativa C está correta. Ela resume a visão convencional da dívida pública: o aumento da dívida, ao gerar crowding-out, reduz o investimento e prejudica o crescimento no longo prazo. Esse é um ponto clássico de Macroeconomia e aparece em autores tradicionais e em abordagens de finanças públicas. As demais alternativas misturam conceitos de forma errada: hiperinflação não é independente do déficit em várias teorias; a relação da dívida com agregados reais está mal formulada; câmbio flexível e conta corrente foram invertidos; e a equivalência ricardiana não diz que déficit eleva PIB nominal automaticamente. Ou seja, a questão testa se você separa causalidade econômica de frase bonita com cara de verdade.