Considere o Modelo IS - LM - BP e uma economia com mobilidade perfeita de capital e câmbio fixo. A estática comparativa correta é:
- A)o BC ao expandir a base monetária, eleva a taxa de juros e gera uma saída de capital, elevando a renda final de equilíbrio;
Errada: na expansão da base monetária, o usual é cair a taxa de juros, e não subir, além de a saída de capital não combinar com esse movimento inicial.
- B)a expansão monetária desloca a curva LM para a direita, e o déficit comercial desloca as curvas IS e GP para a direita, elevando a renda;
Errada: expansão monetária desloca LM, mas déficit comercial não desloca IS e a curva BP, e muito menos leva a esse resultado como regra do modelo.
- C)o governo expande os gastos públicos, com juros subindo acima dos juros externos, gerando entrada de capitais, expandindo o estoque monetário e, assim, elevando mais ainda a renda de equilíbrio;
Certa: a expansão fiscal eleva a renda, aumenta os juros, atrai capital, obriga o BC a intervir para manter o câmbio fixo e isso expande a oferta monetária, elevando ainda mais a renda.
- D)a expansão fiscal eleva a renda, gerando déficit do governo, Incorrendo em depreciação cambial temporária, elevando ainda mais o déficit público e a renda de equilíbrio;
Errada: com câmbio fixo e perfeita mobilidade de capital, a expansão fiscal não gera depreciação cambial temporária; o ajuste ocorre via entrada de capitais e intervenção do BC.
- E)o aumento das tarifas de importação gera superávit da balança de pagamentos, mas as curvas BP e IS retornam ao ponto de equilíbrio original.
Errada: tarifa de importação pode melhorar a balança comercial em certos cenários, mas não leva automaticamente ao retorno das curvas BP e IS ao ponto original.
Gabarito: C
No modelo IS-LM-BP, quando a economia tem mobilidade perfeita de capital e câmbio fixo, a política fiscal costuma ser muito poderosa. Se o governo aumenta os gastos públicos, a curva IS se desloca para a direita, elevando a renda e pressionando a taxa de juros para cima. Como os capitais se movem livremente, juros internos acima dos juros externos atraem entrada de capital. Com câmbio fixo, essa entrada de dólares faz o Banco Central comprar moeda estrangeira para manter a paridade. Ao fazer isso, ele injeta moeda doméstica na economia, ampliando a base monetária. Resultado: a LM também se desloca para a direita, e a renda de equilíbrio sobe ainda mais. É o famoso efeito em cadeia: gasto público puxa renda, juros atraem capital e o BC, para segurar o câmbio, acaba reforçando a expansão monetária. Por isso o gabarito é a letra C. Ela descreve exatamente esse mecanismo: expansão fiscal, alta dos juros acima do externo, entrada de capitais, aumento do estoque monetário e novo aumento da renda de equilíbrio. Em termos do modelo de Mundell-Fleming, em câmbio fixo e mobilidade perfeita de capital, a política fiscal é altamente eficaz, enquanto a monetária perde eficácia porque o BC fica preso à defesa da paridade cambial. Se quiser guardar uma regra de bolso: em câmbio fixo e capital perfeitamente móvel, o governo fala mais alto que o Banco Central na política de demanda. O BC entra mais como zelador da cotação do que como dono do volante da liquidez.