Considere que a taxa de câmbio nominal é medida em termos de reais para um dólar. Assinale a opção que indica uma propriedade da taxa de câmbio real.
- A)Pode ser medida pela taxa de câmbio nominal deflacionada pela razão inflação americana.
Errada, porque a taxa de câmbio real não é obtida apenas pela deflação pela inflação americana, mas pelo ajuste entre preços externos e internos.
- B)A taxa de câmbio nominal será igual à relação de preço do mesmo produto expresso em dólares.
Errada, porque isso confunde câmbio nominal com paridade de preços de um bem; a taxa de câmbio real envolve a comparação de níveis de preços entre países.
- C)A competitividade dos produtos nacionais aumenta se a desvalorização cambial superar a variação da inflação doméstica em relação à inflação americana.
Certa, porque a competitividade dos produtos nacionais aumenta quando a desvalorização cambial supera o efeito da inflação doméstica em relação à inflação americana.
- D)Sua variação deve ser aproximadamente igual à taxa de inflação doméstica deduzida da taxa de inflação americana.
Errada, porque essa relação simplificada não descreve corretamente a variação da taxa de câmbio real; o correto depende da diferença entre inflação doméstica e externa combinada com o câmbio nominal.
- E)Mede o impacto da mudança das pautas de exportação e importação do país em relação ao resto do mundo.
Errada, porque isso se refere a mudanças na estrutura comercial do país, e não à definição de taxa de câmbio real.
Gabarito: C
A taxa de câmbio nominal diz quantos reais você paga por 1 dólar, mas a taxa de câmbio real vai além do preço do “papel-moeda” e olha o poder de compra relativo entre países. Em termos simples, ela ajusta a taxa nominal pelos níveis de preços internos e externos, mostrando se os bens brasileiros ficaram mais caros ou mais baratos em relação aos bens americanos. A ideia central é competitividade: quando a moeda doméstica se desvaloriza de forma suficiente para compensar a inflação interna, os produtos nacionais tendem a ficar relativamente mais baratos para o exterior. A fórmula mais usada é: câmbio real = câmbio nominal x (preços externos / preços internos). Em uma relação simplificada, se o real se desvaloriza mais do que a inflação doméstica em comparação com a inflação americana, os produtos nacionais ganham competitividade. É exatamente esse o raciocínio da alternativa C. Repare que não basta olhar só para a variação do dólar. Se o Brasil tiver inflação alta, parte da desvalorização cambial pode ser “engolida” pelo aumento de preços internos. Por isso, em macroeconomia, preço relativo importa tanto quanto o preço absoluto. É a velha história: não adianta o dólar subir se o seu custo também sobe na mesma velocidade. Em prova, lembre que taxa de câmbio real não mede pauta de exportação, nem é simplesmente o câmbio nominal com uma inflação qualquer descontada. Ela é um indicador de competitividade internacional e de preços relativos entre países.