É fato que, na média, a violação da previsão da paridade descoberta das taxas de juros provocada tanto pela depreciação das moedas dos países com altas taxas básicas de juros e/ou quanto pela apreciação das moedas dos países com baixas taxas básicas de juros proporcionam a potencial lucratividade de uma estratégia financeira corrente no mercado de capitais internacional. Essa estratégia é conhecida como:
- A)carry trade;
Correta, porque o carry trade explora justamente a diferença entre juros altos e baixos combinada com a expectativa de que o câmbio não anule o ganho.
- B)swap cambial;
Errada, porque swap cambial é instrumento derivativo usado para proteção ou gestão de risco cambial, não uma estratégia de arbitragem baseada em diferencial de juros.
- C)securitização internacional;
Errada, porque securitização internacional é transformação de ativos em títulos negociáveis no mercado externo, sem relação direta com essa aposta cambial.
- D)investimentos em fundos offshore;
Errada, porque fundos offshore são veículos de investimento no exterior, mas não definem essa estratégia específica de ganhar com juros e câmbio.
- E)investimentos em Brazilian Depositary Receipts.
Errada, porque BDR é certificado negociado no Brasil que representa ação emitida no exterior, o que não corresponde à estratégia descrita.
Gabarito: A
A ideia central aqui é a seguinte: quando a taxa de juros de um país está bem alta, mas o mercado acha que sua moeda não vai se valorizar na mesma medida, surge espaço para uma aposta financeira. O investidor toma emprestado em moeda com juros baixos, aplica em moeda com juros altos e torce para que a variação cambial não coma o ganho. Essa brincadeira de arbitragem é o coração do carry trade. Pela paridade descoberta das taxas de juros, a diferença entre juros internos e externos deveria ser compensada pela expectativa de variação cambial. Em outras palavras, se um país paga mais juros, a tendência esperada seria sua moeda se depreciar no futuro. O problema é que, na prática, essa relação falha com frequência, e é justamente essa falha que abre espaço para lucro. No enunciado, a banca descreve exatamente esse movimento: depreciação de moedas de países com juros altos e/ou apreciação de moedas de países com juros baixos gerando ganho potencial para quem montou a posição certa. Isso é carry trade, uma estratégia clássica do mercado internacional de capitais, bastante cobrada em macroeconomia e finanças internacionais. Não há um fundamento legal específico aqui, porque o tema é econômico-financeiro. O que importa é a lógica da paridade de juros e a estratégia de arbitragem cambial. Se você lembrou de "pegar dinheiro barato e aplicar caro", acertou o espírito da questão.