Suponha uma economia aberta com plena mobilidade de capitais e válida a relação de paridade das taxas de juros. Considere também que os preços são rígidos no curto prazo e que o PIB real permaneça constante ao longo de todo o processo de análise. A partir de uma condição inicial de equilíbrio de longo prazo, o aumento permanente na oferta de moeda no país doméstico provoca:
- A)o aumento na taxa de juros interna e uma apreciação da taxa de câmbio nominal no curto prazo;
Errada, porque a expansão monetária não aumenta a taxa de juros interna no curto prazo; ela a reduz, e o câmbio tende a se desvalorizar, não a apreciar.
- B)o fenômeno da ultrapassagem (overshooting) da taxa de câmbio nominal no curto prazo;
Certa, porque o aumento permanente da moeda, com preços rígidos e paridade de juros, provoca desvalorização cambial inicial acima do novo equilíbrio de longo prazo, isto é, overshooting.
- C)o aumento na taxa de juros interna e uma apreciação da taxa de câmbio nominal no curto e longo prazo;
Errada, porque a taxa de juros interna não sobe nesse cenário e a apreciação não é o movimento típico após expansão monetária permanente; o ajuste começa com desvalorização.
- D)a alteração da taxa de câmbio nominal, mas o nível de preços permanece constante;
Errada, porque a taxa de câmbio nominal se altera sim, e o nível de preços não fica constante no longo prazo, já que a expansão monetária permanente acaba pressionando os preços.
- E)o retorno da taxa de câmbio nominal ao ponto de equilíbrio inicial no longo prazo, após a depreciação inicial no curto prazo.
Errada, porque o movimento inicial do câmbio não é de depreciação simples seguida de retorno ao ponto inicial, mas de desvalorização excessiva e posterior acomodação ao novo equilíbrio.
Gabarito: B
Nesta questão, vale o clássico da macroeconomia aberta com mobilidade perfeita de capitais e paridade descoberta de juros. Se a oferta de moeda aumenta permanentemente, o país doméstico tende a ter queda da taxa de juros interna no curto prazo, porque sobra liquidez no mercado monetário. Com juros menores, sai capital, e a moeda doméstica precisa se desvalorizar para restabelecer o equilíbrio externo. O detalhe importante é que os preços são rígidos no curto prazo. Então o ajuste não ocorre por inflação imediata, mas pela taxa de câmbio nominal. Como o aumento de moeda é permanente, no longo prazo a economia volta ao equilíbrio com preços mais altos e juros retornando ao nível internacional. Só que, no curto prazo, a câmbio precisa se mover mais do que o necessário para o novo equilíbrio de longo prazo. É aí que entra o fenômeno da ultrapassagem, ou overshooting, do Dornbusch: a taxa de câmbio nominal se desvaloriza além do seu novo valor de equilíbrio de longo prazo e, depois, se aprecia gradualmente até convergir. Ou seja, a reação inicial do câmbio é exagerada porque ele ajusta instantaneamente, enquanto os preços demoram a acompanhar. Por isso, o gabarito é a letra B. O coração da questão é lembrar que, sob preços rígidos e mobilidade perfeita de capitais, expansão monetária não gera aumento de juros internos, mas sim queda temporária dos juros e desvalorização cambial com overshooting. Em termos doutrinários, isso é a previsão padrão do modelo de Dornbusch para economia aberta.