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Macroeconomia · FGV · 2023

Questão comentada de Macroeconomia

Suponha uma economia aberta com plena mobilidade de capitais e válida a relação de paridade das taxas de juros. Considere também que os preços são rígidos no curto prazo e que o PIB real permaneça constante ao longo de todo o processo de análise. A partir de uma condição inicial de equilíbrio de longo prazo, o aumento permanente na oferta de moeda no país doméstico provoca:

Gabarito: B

Nesta questão, vale o clássico da macroeconomia aberta com mobilidade perfeita de capitais e paridade descoberta de juros. Se a oferta de moeda aumenta permanentemente, o país doméstico tende a ter queda da taxa de juros interna no curto prazo, porque sobra liquidez no mercado monetário. Com juros menores, sai capital, e a moeda doméstica precisa se desvalorizar para restabelecer o equilíbrio externo. O detalhe importante é que os preços são rígidos no curto prazo. Então o ajuste não ocorre por inflação imediata, mas pela taxa de câmbio nominal. Como o aumento de moeda é permanente, no longo prazo a economia volta ao equilíbrio com preços mais altos e juros retornando ao nível internacional. Só que, no curto prazo, a câmbio precisa se mover mais do que o necessário para o novo equilíbrio de longo prazo. É aí que entra o fenômeno da ultrapassagem, ou overshooting, do Dornbusch: a taxa de câmbio nominal se desvaloriza além do seu novo valor de equilíbrio de longo prazo e, depois, se aprecia gradualmente até convergir. Ou seja, a reação inicial do câmbio é exagerada porque ele ajusta instantaneamente, enquanto os preços demoram a acompanhar. Por isso, o gabarito é a letra B. O coração da questão é lembrar que, sob preços rígidos e mobilidade perfeita de capitais, expansão monetária não gera aumento de juros internos, mas sim queda temporária dos juros e desvalorização cambial com overshooting. Em termos doutrinários, isso é a previsão padrão do modelo de Dornbusch para economia aberta.

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