Considere o Manual de Balanços de Pagamentos do FMI, 5ª edição (BPMS). Se a conta da Balança de Transações Correntes está deficitária, isso não indica a necessidade de
- A)investimentos de estrangeiros no país, via aquisição de empresas de residentes.
Está certa, porque a aquisição de empresas residentes por estrangeiros traz entrada de capital e ajuda a financiar o déficit externo.
- B)contratação de empréstimos no exterior, elevando o endividamento do país.
Está certa, porque empréstimos no exterior aumentam a entrada de divisas e podem cobrir o desequilíbrio em transações correntes.
- C)redução das reservas nacionais de divisas internacionais.
Está certa, porque a redução das reservas internacionais é uma forma clássica de financiar um déficit no balanço de pagamentos.
- D)aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior.
Está errada, porque maior controle sobre empreendimentos no exterior não é necessidade decorrente de déficit em transações correntes.
- E)entrada de fluxos de capital estrangeiro, pela aquisição de ações e títulos de renda fixa de emissão local.
Está certa, porque a entrada de capital estrangeiro em ações e títulos locais gera financiamento externo para compensar o déficit.
Gabarito: D
Quando a conta de Transações Correntes fica deficitária, o país está gastando mais com o resto do mundo do que recebendo em bens, serviços, renda e transferências correntes. Em outras palavras: faltou divisa no fluxo “do dia a dia” e alguém precisa fechar a conta. No BPMS do FMI, essa lacuna normalmente é coberta por entrada de capitais na conta financeira ou, se necessário, por uso de reservas internacionais. Por isso, um déficit em transações correntes pode indicar necessidade de investimento estrangeiro direto, empréstimos externos ou compra de ativos locais por não residentes. Tudo isso ajuda a trazer moeda estrangeira para dentro da economia e a equilibrar o balanço de pagamentos. É o famoso “o caixa apertou, então entra dinheiro de fora ou usa o cofre”. A alternativa D é a correta porque aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior não é uma necessidade gerada por déficit em transações correntes. Isso se relaciona a investimento direto no exterior, expansão de ativos externos ou estratégia empresarial, não ao fechamento do desequilíbrio externo. Um déficit corrente pede financiamento externo ou redução de reservas, não maior domínio sobre empresas lá fora. Na lógica contábil do BPMS, o balanço de pagamentos precisa fechar: se uma conta corrente piora, outra conta ou as reservas têm de compensar. Então, pense assim: déficit corrente chama entrada de capital ou perda de reservas, não “mais poder sobre empresas estrangeiras”.