De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro a preços de mercado em 2022 totalizou R$ 9.915,3 bilhões. Quanto aos componentes do PIB pela ótica da demanda, as “Exportações Líquidas de Bens e Serviços” totalizaram R$ 74,5 bilhões, e a “Variação de Estoque” totalizou um valor negativo de R$ 67,3 bilhões. Quanto aos outros componentes, quais sejam, “Despesa de Consumo das Famílias”, “Despesa de Consumo do Governo”, e “Formação Bruta de Capital Fixo”, estes representaram aproximadamente, em relação ao PIB a preços de mercado, respectivamente,
- A)3%, 51% e 46%.
Errada, porque atribui peso muito baixo ao consumo das famílias e exagera o consumo do governo e a FBCF, invertendo a estrutura típica do PIB pela demanda.
- B)23%, 7% e 70%.
Errada, porque superestima demais a FBCF e subestima fortemente o consumo das famílias, o que não condiz com a composição usual do PIB brasileiro.
- C)43%, 49% e 8%.
Errada, porque coloca quase todo o PIB em consumo das famílias e governo, deixando a FBCF irrealmente pequena para o padrão das contas nacionais.
- D)63%, 18% e 19%.
Certa, pois a participação aproximada de consumo das famílias, consumo do governo e FBCF é de 63%, 18% e 19%, respectivamente.
- E)83%, 1% e 16%.
Errada, porque atribui quase todo o PIB ao consumo das famílias e praticamente elimina o consumo do governo, algo incompatível com a decomposição do PIB.
Gabarito: D
No Sistema de Contas Nacionais, o PIB pela ótica da demanda é a soma de consumo das famílias, consumo do governo, formação bruta de capital fixo, variação de estoques e exportações líquidas. Em linguagem de prova: PIB = C + G + FBCF + VE + (X - M). É a identidade clássica do lado da despesa, usada pelo IBGE e por praticamente todos os manuais de macroeconomia. Aqui, o enunciado já trouxe dois componentes pequenos perto do PIB: exportações líquidas de R$ 74,5 bilhões e variação de estoques negativa de R$ 67,3 bilhões. Então, quando você olha para os três blocos grandes, o resto do PIB fica concentrado em consumo das famílias, consumo do governo e investimento. Em contas nacionais, o consumo das famílias costuma ser disparado o maior pedaço do bolo, seguido da FBCF, e o consumo do governo vem bem menor. Para chegar ao gabarito, basta notar que as proporções compatíveis com o PIB de R$ 9.915,3 bilhões são aproximadamente: consumo das famílias em torno de 63%, consumo do governo em torno de 18% e formação bruta de capital fixo em torno de 19%. Essa distribuição fecha com o padrão do SCN brasileiro e com a ordem de grandeza esperada dos componentes. Por isso, a alternativa correta é a D. A banca da FGV gosta de cobrar leitura direta de tabela e identidade contábil, sem truque econômico sofisticado: o segredo é reconhecer qual componente costuma ser maior e evitar “repartir” o PIB de forma intuitiva demais.