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Macroeconomia · FGV · 2023

Questão comentada de Macroeconomia

É considerado um fator relevante que se contrapõe à lógica básica da equivalência ricardiana, acarretando sua potencial invalidade, a:

Gabarito: A

A equivalência ricardiana diz, em linhas simples, que uma redução de impostos hoje, se vier acompanhada de mais dívida pública amanhã, não aumenta de forma relevante o consumo corrente, porque as pessoas sabem que essa conta vai chegar depois. Em vez de gastar mais, elas tendem a poupar para pagar os impostos futuros. É a lógica do “o governo tira de um bolso e depois cobra no outro”. Mas essa ideia depende de vários pressupostos bem exigentes: agentes racionais, horizonte de vida amplo, ausência de incerteza relevante e, principalmente, acesso fácil ao mercado de crédito. Se a pessoa está restrita de crédito, ela não consegue suavizar consumo no tempo como o modelo supõe. Aí, uma queda de impostos pode virar consumo imediato, porque alivia a restrição de caixa de hoje. Por isso, a alternativa A está correta: a presença de restrição de crédito nos consumidores é um fator que enfraquece ou pode invalidar a equivalência ricardiana. Na prática, nem todo mundo consegue “pensar como o governo” e antecipar perfeitamente os impostos futuros, especialmente quem está apertado no orçamento. As demais alternativas descrevem justamente a lógica da equivalência ricardiana, e não um fator que a contraria. Doutrinariamente, essa é a crítica clássica ao resultado de Barro: ele é elegante no quadro teórico, mas depende de hipóteses bem fortes para funcionar na vida real.

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