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Macroeconomia · FGV · 2022

Questão comentada de Macroeconomia

Em relação às consequências de uma taxa de inflação elevada e persistente, não é possível mencionar

Gabarito: D

Inflação alta e persistente costuma bagunçar a economia em vários canais. Ela atrapalha a leitura dos preços, porque o empresário e o consumidor passam a ter mais dificuldade para saber o que ficou realmente caro ou barato. Com isso, a alocação de recursos fica pior, os custos de transação aumentam e as decisões de investimento ficam mais arriscadas, já que o retorno futuro vira um alvo em movimento. Outro efeito bem cobrado em prova é a piora distributiva. Quem tem renda menor normalmente consegue se proteger menos da corrosão inflacionária, porque tem menos acesso a ativos indexados, aplicações financeiras ou mecanismos de hedge. Resultado: o poder de compra encolhe mais para os mais vulneráveis. Agora o ponto central da questão: a letra D está errada porque inverte a lógica do efeito Olivera-Tanzi. Esse efeito ocorre quando a inflação elevada reduz o valor real da arrecadação tributária, e não quando aumenta a arrecadação. Isso acontece porque existe defasagem entre o fato gerador, o lançamento, o pagamento e a entrada efetiva do tributo nos cofres públicos. Em inflação alta, o governo recebe depois e, quando recebe, aquele dinheiro vale menos. Então, se a banca fala em consequência de inflação elevada e persistente, tudo o que aponta para distorções, piora da renda, custos de transação e desestímulo ao investimento faz sentido. O erro é aceitar a ideia de ganho nominal para o governo como se isso fosse uma vantagem real. Na prática, no Olivera-Tanzi, a inflação costuma corroer, e não melhorar, a arrecadação real.

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