Em relação às consequências de uma taxa de inflação elevada e persistente, não é possível mencionar
- A)as distorções na alocação de recursos da economia, visto que os preços relativos deixam de ser sinalizadores da escassez e dos custos relativos de produção.
Certa, porque a inflação alta distorce os preços relativos e prejudica a alocação eficiente de recursos.
- B)o efeito negativo sobre o incentivo a investir, uma vez que os agentes terão dificuldades para prever o retorno dos ativos.
Certa, porque a maior incerteza inflacionária dificulta prever retornos e desestimula investimento.
- C)a piora na distribuição de renda, visto que os mais pobres têm maior dificuldade em se proteger da perda de poder aquisitivo de sua renda.
Certa, porque a inflação corrói mais a renda dos grupos que têm menor capacidade de se proteger.
- D)o efeito Olivera-Tanzi, quando a inflação impulsiona a arrecadação nominal do governo, devido à defasagem entre o fato gerador e o recolhimento dos tributos.
Errada, porque o efeito Olivera-Tanzi reduz a arrecadação real do governo pela defasagem do recolhimento tributário, e não aumenta a arrecadação nominal como vantagem da inflação.
- E)o aumento dos custos de transação da economia, devido a maior tempo em pesquisa de preços, elaboração de contratos, remarcação de preços, dentre outros.
Certa, porque a inflação eleva custos de transação, como pesquisa de preços, reajustes contratuais e remarcações.
Gabarito: D
Inflação alta e persistente costuma bagunçar a economia em vários canais. Ela atrapalha a leitura dos preços, porque o empresário e o consumidor passam a ter mais dificuldade para saber o que ficou realmente caro ou barato. Com isso, a alocação de recursos fica pior, os custos de transação aumentam e as decisões de investimento ficam mais arriscadas, já que o retorno futuro vira um alvo em movimento. Outro efeito bem cobrado em prova é a piora distributiva. Quem tem renda menor normalmente consegue se proteger menos da corrosão inflacionária, porque tem menos acesso a ativos indexados, aplicações financeiras ou mecanismos de hedge. Resultado: o poder de compra encolhe mais para os mais vulneráveis. Agora o ponto central da questão: a letra D está errada porque inverte a lógica do efeito Olivera-Tanzi. Esse efeito ocorre quando a inflação elevada reduz o valor real da arrecadação tributária, e não quando aumenta a arrecadação. Isso acontece porque existe defasagem entre o fato gerador, o lançamento, o pagamento e a entrada efetiva do tributo nos cofres públicos. Em inflação alta, o governo recebe depois e, quando recebe, aquele dinheiro vale menos. Então, se a banca fala em consequência de inflação elevada e persistente, tudo o que aponta para distorções, piora da renda, custos de transação e desestímulo ao investimento faz sentido. O erro é aceitar a ideia de ganho nominal para o governo como se isso fosse uma vantagem real. Na prática, no Olivera-Tanzi, a inflação costuma corroer, e não melhorar, a arrecadação real.