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Macroeconomia · FGV · 2022

Questão comentada de Macroeconomia

A Política Fiscal brasileira se inspira, desde o final da década de 1990, no chamado “Modelo da Equivalência Ricardiana”, que considera o déficit público como um fator de ineficiência alocativa. No entanto, o debate teórico sobre o papel da Política Fiscal opõe duas correntes de pensamento: os Novos Clássicos, defensores desse modelo, e os Keynesianos. Com relação à análise da Política Fiscal por essas duas correntes, é correto afirmar que

Gabarito: A

A questão contrapõe duas visões clássicas sobre a Política Fiscal. Para os Keynesianos, a economia pode ficar presa em níveis baixos de atividade e emprego, então o Estado pode e deve usar o orçamento público como instrumento de estabilização. Nessa lógica, um déficit fiscal em momentos de recessão não é um pecado mortal: ele ajuda a elevar a demanda agregada, sustenta renda, consumo e investimento, e pode reativar a economia. É a velha ideia de que, quando o setor privado está fraquejando, o gasto público entra em cena para dar tração ao crescimento. Já os Novos Clássicos, com expectativas racionais e a famosa equivalência ricardiana associada a Barro, tendem a ver o déficit com desconfiança. Para eles, aumentar gasto financiado por dívida não gera o mesmo efeito estimulador que os Keynesianos imaginam, porque os agentes antecipam que essa dívida terá de ser paga no futuro, reduzindo o impacto líquido sobre consumo e poupança. Por isso, o déficit é frequentemente tratado como algo pouco eficiente e até distorcivo. O gabarito é a alternativa A porque ela traduz exatamente a leitura Keynesiana: em fase de desaquecimento, o déficit público pode ser usado para impulsionar a demanda agregada e favorecer o crescimento econômico. Não há aqui uma regra de “orçamento equilibrado sempre”, mas sim a ideia de política fiscal anticíclica. As demais alternativas misturam conceitos ou invertem a lógica das correntes. Em prova, isso aparece muito como troca de papéis: o enunciado fala de Keynes, mas descreve Novos Clássicos, ou vice-versa. Fique atento a isso, porque a banca gosta dessa troca de casacas.

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