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Macroeconomia · FGV · 2022

Questão comentada de Macroeconomia

Com base nos diferentes regimes de taxas de câmbio e na política macroeconômica em uma economia aberta, é correto afirmar que:

Gabarito: D

Nesta questão, a banca mistura dois temas que vivem andando de mãos dadas em economia aberta: paridade do poder de compra (PPC) e a chamada trindade impossível. A PPC, em sua versão relativa, diz que diferenças de inflação entre países tendem a ser compensadas por variações na taxa de câmbio nominal ao longo do tempo. Em termos simples: se um país inflaciona mais, sua moeda tende a perder valor no médio prazo. Mas cuidado com a intuição apressada. PPC não diz que a taxa de juros deve ser igual ao diferencial de inflação, nem que a taxa de câmbio real vire um número específico só porque houve inflação diferente. Ela fala de relação entre preços e câmbio, não de uma fórmula mágica para juros. É aí que muita gente escorrega bonitinho na prova. O gabarito é a letra D porque a trindade impossível, também chamada de trilema da política macroeconômica, afirma que um país não consegue, ao mesmo tempo, manter: 1) câmbio fixo, 2) livre mobilidade de capitais e 3) autonomia da política monetária. Se escolher câmbio fixo e capitais livres, a política monetária fica amarrada. Se quiser autonomia monetária, terá de abrir mão de alguma combinação, como câmbio fixo ou mobilidade total. Esse é o coração do modelo de Mundell-Fleming em economia aberta. Em prova da FGV, desconfie quando a alternativa tentar transformar PPC em regra de juros ou simplificar demais a dinâmica cambial. A ideia central é sempre esta: em economia aberta, câmbio, capitais e política monetária não deixam você escolher os três ao mesmo tempo. A conta não fecha, nem com simpatia do Banco Central.

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