Com base nos diferentes regimes de taxas de câmbio e na política macroeconômica em uma economia aberta, é correto afirmar que:
- A)de acordo com a teoria da paridade do poder de compra e em regime de câmbio fixo, a taxa de juros deve ser igual ao diferencial entre a taxa de inflação doméstica e externa;
Errada: a PPC não afirma que, em câmbio fixo, a taxa de juros deve ser igual ao diferencial de inflação, pois isso mistura relação cambial com determinação da taxa de juros.
- B)de acordo com a teoria da paridade do poder de compra e em regime de câmbio flutuante, a taxa de juros deve ser igual ao diferencial entre a taxa de inflação interna e externa;
Errada: a PPC relativa relaciona inflação e variação cambial esperada, não impõe que a taxa de juros seja igual ao diferencial de inflação em câmbio flutuante.
- C)se em um país, em certo momento, identifica-se que há um diferencial positivo entre a taxa de inflação doméstica e a taxa de inflação externa, o país apresentará uma valorização cambial;
Errada: um diferencial positivo de inflação doméstica tende a gerar depreciação, e não valorização, da moeda no longo prazo pela PPC.
- D)considerando perfeita mobilidade de capitais, a denominada trindade impossível refere-se ao fato de um país não poder ao mesmo tempo adotar um regime de câmbio fixo e ter autonomia monetária;
Certa: com mobilidade perfeita de capitais, a trindade impossível diz que não é possível ter ao mesmo tempo câmbio fixo, mobilidade de capitais e autonomia monetária.
- E)se a taxa de inflação no Brasil é de 12% ao ano, enquanto a taxa de inflação nos EUA é de 7% ao ano, de acordo com a paridade do poder de compra (PPC) relativa, a taxa de câmbio real é aproximadamente igual a 1,43.
Errada: a PPC relativa não permite concluir que a taxa de câmbio real seja 1,43 a partir apenas das inflações de 12% e 7%; além disso, a conta apresentada não traduz corretamente o conceito.
Gabarito: D
Nesta questão, a banca mistura dois temas que vivem andando de mãos dadas em economia aberta: paridade do poder de compra (PPC) e a chamada trindade impossível. A PPC, em sua versão relativa, diz que diferenças de inflação entre países tendem a ser compensadas por variações na taxa de câmbio nominal ao longo do tempo. Em termos simples: se um país inflaciona mais, sua moeda tende a perder valor no médio prazo. Mas cuidado com a intuição apressada. PPC não diz que a taxa de juros deve ser igual ao diferencial de inflação, nem que a taxa de câmbio real vire um número específico só porque houve inflação diferente. Ela fala de relação entre preços e câmbio, não de uma fórmula mágica para juros. É aí que muita gente escorrega bonitinho na prova. O gabarito é a letra D porque a trindade impossível, também chamada de trilema da política macroeconômica, afirma que um país não consegue, ao mesmo tempo, manter: 1) câmbio fixo, 2) livre mobilidade de capitais e 3) autonomia da política monetária. Se escolher câmbio fixo e capitais livres, a política monetária fica amarrada. Se quiser autonomia monetária, terá de abrir mão de alguma combinação, como câmbio fixo ou mobilidade total. Esse é o coração do modelo de Mundell-Fleming em economia aberta. Em prova da FGV, desconfie quando a alternativa tentar transformar PPC em regra de juros ou simplificar demais a dinâmica cambial. A ideia central é sempre esta: em economia aberta, câmbio, capitais e política monetária não deixam você escolher os três ao mesmo tempo. A conta não fecha, nem com simpatia do Banco Central.