Considere que a taxa de juros no Brasil é igual a 13,75% ao ano, que a taxa de juros nos Estados Unidos é igual a 2,25% ao ano e que a taxa de câmbio corrente real (R$) por dólares (US$) é igual a 5,00 R$/US$. Diante dessas informações e com base na paridade descoberta da taxa de juros, é correto afirmar que a expectativa para o valor da taxa de câmbio real (R$) por dólares (US$) para um ano será aproximadamente igual a:
- A)4,15 R$/US$;
Errada, porque 4,15 R$/US$ indicaria valorização forte do real, mas a diferença de juros aponta para o movimento oposto.
- B)4,50 R$/US$;
Errada, porque 4,50 R$/US$ ainda representa apreciação do real, incompatível com juros domésticos muito maiores que os externos.
- C)4,70 R$/US$;
Errada, porque 4,70 R$/US$ também fica abaixo do câmbio atual, quando a paridade sugere expectativa de alta do dólar.
- D)5,18 R$/US$;
Errada, porque 5,18 R$/US$ até aponta leve aumento, mas a conta correta com os juros dados gera um valor mais alto.
- E)5,58 R$/US$.
Certa, porque pela paridade descoberta o câmbio esperado é 5,00 x 1,1375 / 1,0225, o que dá aproximadamente 5,58 R$/US$.
Gabarito: E
A paridade descoberta da taxa de juros diz, em essência, que aplicar no Brasil ou converter para dólares e aplicar nos EUA tende a dar o mesmo retorno esperado, quando você considera também a variação esperada do câmbio. Em linguagem de prova: se a taxa de juros doméstica é maior, o mercado espera que a moeda doméstica se desvalorize no futuro. A fórmula usada é: taxa de câmbio esperada = taxa de câmbio atual x (1 + juro doméstico) / (1 + juro externo). Aqui, a taxa no Brasil é 13,75% ao ano e nos EUA é 2,25% ao ano, com câmbio atual de 5,00 R$/US$. Fazendo a conta: 5,00 x 1,1375 / 1,0225 = aproximadamente 5,58 R$/US$. Ou seja, como o juro brasileiro é bem maior, a expectativa é de alta do dólar em reais, e não de queda. É a lógica clássica da paridade descoberta: juros mais altos aqui costumam vir acompanhados de expectativa de depreciação da moeda local. Esse é um resultado típico de macroeconomia aberta e aparece muito em provas da FGV: ela gosta de testar se você lembra que maior juro doméstico implica câmbio futuro esperado mais alto, mantendo a paridade de retorno.