Considere o seguinte modelo keynesiano de economia aberta: Consumo autônomo = 100 Propensão marginal a consumir = 0,5 Alíquota tributária sobre a renda = 0,2 (ou 20%) Investimento = 200 Gastos do governo = 100 Exportações = 300 Propensão marginal a importar = 0,4 O saldo da balança comercial no nível de equilíbrio da renda e o multiplicador de economia aberta serão, respectivamente, iguais a:
- A)20 e 1;
Correta: com Y = 700, a balança comercial é 300 - 280 = 20 e o multiplicador da economia aberta é 1.
- B)40 e 5;
Errada: 40 não é o saldo comercial com a renda de equilíbrio correta, e o multiplicador não é 5 nesse modelo.
- C)538,46 e 0,77;
Errada: esses números não decorrem das contas do equilíbrio keynesiano aberto apresentado no enunciado.
- D)700 e 1;
Errada: 700 é a renda de equilíbrio, não o saldo da balança comercial, e o multiplicador não é 1 nessa combinação.
- E)3500 e 5.
Errada: 3500 seria obtido se o multiplicador fosse 5, mas isso não ocorre com a propensão a importar dada.
Gabarito: A
Em um modelo keynesiano simples de economia aberta, a renda de equilíbrio aparece quando a demanda agregada iguala a produção. Aqui, o consumo depende da renda disponível: C = 100 + 0,5(Y - 0,2Y) = 100 + 0,4Y. As importações também crescem com a renda: M = 0,4Y. Então a demanda total fica C + I + G + X - M = 100 + 0,4Y + 200 + 100 + 300 - 0,4Y. Repare na mágica do modelo: o termo 0,4Y do consumo e o termo -0,4Y das importações se cancelam. Sobra uma demanda autônoma de 700. Logo, o equilíbrio é Y = 700. Com essa renda, as importações serão M = 0,4 x 700 = 280. Como as exportações são 300, o saldo da balança comercial é X - M = 20. É um superávit pequeno, mas superávit. Então a primeira parte bate com a alternativa A. O multiplicador da economia aberta, nesse caso, é 1 / [1 - c(1 - t) + m] = 1 / [1 - 0,5(1 - 0,2) + 0,4] = 1 / 1 = 1. Ou seja, cada real de gasto autônomo aumenta a renda em 1 real. Por isso, o gabarito correto é A: 20 e 1.