A respeito do sistema Bretton Woods de taxas de câmbio fixas, instituído após a Segunda Guerra Mundial, assinale a opção correta.
- A)O acordo previa exclusivamente câmbio flutuante, sem necessidade de intervenções institucionais.
Errada, porque Bretton Woods não previa câmbio flutuante irrestrito, mas sim taxas fixas com possibilidade de ajuste controlado.
- B)Os países-membros tinham total autonomia para ajustar suas taxas de câmbio sem qualquer restrição ou autorização prévia.
Errada, porque os países não tinham autonomia total para mudar a paridade cambial sem limites ou supervisão internacional.
- C)Mudanças nas taxas cambiais eram permitidas somente com autorização do Fundo Monetário Internacional (FMI), desde que houvesse desequilíbrios estruturais no balanço de pagamentos.
Certa, porque o sistema admitia alteração da taxa de câmbio com autorização do FMI, em caso de desequilíbrio fundamental do balanço de pagamentos.
- D)A taxa de câmbio poderia ser alterada livremente desde que houvesse hiperinflação no país.
Errada, porque hiperinflação não era o critério jurídico do acordo para alterar câmbio; o parâmetro era o desequilíbrio estrutural externo.
- E)O Banco de Compensações Internacionais (BIS) era o responsável exclusivo pela autorização de alterações nas taxas cambiais.
Errada, porque o BIS não era o órgão exclusivo de autorização de mudanças cambiais no sistema de Bretton Woods; essa função estava ligada ao FMI.
Gabarito: C
O sistema de Bretton Woods foi criado no pós-Segunda Guerra para dar estabilidade ao câmbio internacional. A lógica era de taxas fixas, mas não “engessadas para sempre”: os países mantinham a paridade da moeda e só podiam alterar esse valor em situações excepcionais, especialmente quando houvesse desequilíbrio fundamental no balanço de pagamentos. E essa mudança não era feita no improviso, porque havia supervisão internacional. Na prática, o FMI funcionava como o guardião do sistema. Se um país quisesse desvalorizar ou ajustar sua taxa de câmbio de forma relevante, precisava justificar a medida e obter a concordância da instituição, justamente para evitar manipulações oportunistas. Então, não era um regime de liberdade total, nem de câmbio flutuante. Era um arranjo de câmbio fixo com certa flexibilidade controlada. É por isso que a alternativa C está correta: ela traduz a ideia central de Bretton Woods, em que mudanças cambiais eram permitidas sob autorização do FMI e condicionadas à existência de desequilíbrios estruturais no balanço de pagamentos. Essa é a essência histórica do acordo, muito cobrada em provas quando a banca quer ver se você sabe diferenciar câmbio fixo, flutuante e a velha “paridade ajustável”. Como referência doutrinária, vale lembrar que Bretton Woods é normalmente descrito como um sistema de fixed but adjustable exchange rates, isto é, câmbio fixo, porém ajustável em condições excepcionais. O sistema perdeu força nas décadas seguintes e acabou ruindo com o fim da conversibilidade do dólar em ouro, em 1971.